Repito: aqui ao lado, na coluna da direita, dispõe dos «posts» inseridos nas semanas anteriores. «Clique» duas vezes na referência e leia!
Efemérides
Começou a Primavera. Quer dizer: no calendário. Aí fora, já tinha começado. Hoje é Dia da Poesia. Ficam aí em baixo dois poemas de José Afonso para celebrar. É Dia da Árvore. Pensamos Floresta. Pensamos Seca. Pensamos Água. Vá lá que hoje chove...
Notas
1. A minha solidariedade para com o António Tremoço (Sorefame/Bombardier) pela coragem dele e dos seus. Força, Tremoço. E eu continuo o mesmo ingénuo: pensei que a Polícia de Choque ia defender a honra do Estado que diz estar em negociações com a Bombardier. O Portas bem vos/nos enganou. O Mário Lino diz que tinha uma reunião agendada com os canadianos para 4ª-feira. Mas o António Costa não impediu a Polícia de fazer logo na primeira ocasião esta cena para começarmos o novo ciclo…
2. Também eu estou contra a continuação da ocupação do Iraque.
3. Um amigo pergunta por que é que não acabo também com este ‘blog’, como aconteceu com o «porlisboa», uma vez que Santana Lopes já regressou à CML. Com todo o respeito por quem pergunta e pelos conhecidos, desconhecidos e amigos que por uns dias fizeram o ex-«porlisboa», digo que não perceberam ainda o que é e para que é este «carro de combate», o «lisboalisboa». Mas sei que muitíssimos outros visitantes já perceberam: aqui não há nem objectivos individuais nem razões pessoais nem luta por ou contra personalidades: aqui há só (e não é pouco) uma trincheira política, que vai para lá das pessoas e tem tudo a ver e só com a política – a nobre arte, como escreveu alguém há milhares de anos.
Audi
Regressou à CML/Paços do Concelho o Audi A-8, super-potente, com vidros fumados e, segundo me dizem, à prova de bala – o que nem acredito.
Sempre usado por Santana mas quase nunca por Carmona, tem estado em Monsanto... arquivado.
Agora ocupa outra vez o primeiro lugar na fila da Rua do Comércio/esquina da Praça do Município. Passaram para segundo e terceiro lugares na mesma fila o Peugeot 607 e o Lancia de alta gama.
Sessão de dia 23
Está marcada para dia 23, às 10 horas, a próxima sessão da CML. Pontos da agenda de que aqui falaremos amanhã e depois:
1. O novo local da Sé, perto da Expo.
2. Taça UEFA.
3. MODALISBOA.
4. Administração da EGEAC.
5. Administração da SRU Oriental.
Semana da Juventude na Ajuda
Começa amanhã e vai até ao dia 24 a Semana da Juventude organizada pela junta de freguesia da Ajuda.
Tem de tudo: desporto, conversa com escritores, ateliers de educação, filmes, teatro, poesia, «check sound», muita música, «body combat»... e muito mais.
Decorre assim o V Festival da Juventude da Ajuda.
A organização e da autarquia local, mas com o apoio de mais 14 entidades.
segunda-feira, março 21, 2005
Jornal das 11 / Dia 21 de Março
Lisboa: primeiro o que é primeiro
Sabemos agora oficialmente várias coisas sobre as candidaturas à esquerda para Lisboa e Porto.
Primeiro: que no Porto o BE não quer coligação com a CDU e o PS porque a CDU votou não sei o quê com o PSD… Peço ao meu amigo Calos Marques que telefone para lá e diga só o seguinte ao Lopes de lá: «Cala-te com isso, pá. Nós (Bloco) aqui em Lisboa também votámos com o PSD e o PS aquela vergonha do acordo Parque Mayer/Terrenos da Feira Popular. Ajudámos politicamente o Carmona e o Santana e ajudámos financeiramente os empresários envolvidos, com milhões de lucros à custa do erário municipal». E já agora, Carlos, peço que lhe peças só isto: «Tu, está mas é caladinho!».
Segundo: sabemos que estão na calha conversações PS/PCP e certamente também PS/BE, e depois com certeza PS/PCP/BE para lista conjunta a fim de derrotar esta maioria.
Terceiro: da parte do PCP sabemos agora duas coisas: que a coligação, se a houver, deve corrigir as malfeitorias da direita na CML; e que, em primeiro lugar, devem ser discutidos programas de acção e só depois nomes e quotas e lugares.
Candidatos
A Eurosondagem fez mais uma consulta para o «Expresso», a SIC e a Rádio Renascença. Em causa, a comparação de votações para candidatos PS e PSD. Resultados, por esta ordem: do lado do PS: Carrilho, Ferro Rodrigues, Mega Ferreira; do lado do PSD: Carmona, Seara, Santana.
O que a Eurosondagem não sabe é que podem aparecer outras candidaturas, quer de um lado quer do outro…
Candidatura PS
Aleluia! Esta semana da Páscoa vai saber-se quem vai titular a candidatura do PS à CML. Mantêm-se na «poole position», declaradamente, Carrilho e Soares. Ferro diz que não. Mega disse que não. Não digo que não estão. Digo o que leio que disseram.
Mas intuo que pode interferir aqui uma hipótese de «quotas» de solução/compensação. Para a semana falamos.
João Soares
Apaixonado, perdeu/perdemos. Apaixonado quer ganhar Lisboa. Está na corrida: «Eu incluído», disse à Cristina Rita, do «Correio da Manhã». E mais: «A Concelhia de Lisboa do PS nunca foi decente comigo». Mas «faça-se uma sondagem com os nomes todos para ver de quem os lisboetas gostam mais».
PS concelhio
A Rui Arala Chaves, também do «CM», Miguel Coelho, líder concelhio, disse que, em coligação, o PS quer a parte de leão, como titula o jornal: «presidência da CML e a maioria em todos os órgãos, Assembleia e juntas incluídas». Não será muito? Esta Concelhia, está convencida de que o PS ganha sozinho, porque julga que o PSD está morto. Mas não está. E há riscos.
Nível mais alto
A discussão destas matérias, ao que se sabe, sobe ao mais alto nível. E pode abranger vários casos, além de Lisboa e Porto: «as grandes urbes», como disse Mário Soares. Há umas semanas escrevi aqui exemplos: Gaia, Gondomar, Sintra, Cascais.
Art’s, na Parque Expo
O «Expresso»/ Economia da sábado traz a história de um empreendimento na Expo, o Art’s Busness & Hotel Center. Não tem licença de utilização. E pelos vistos vai demorar até que tenha. A menos que o novo vereador responsável pela zona, Fontão de Carvalho, meta mãos à obra e desembrulhe o imbróglio.
O empreendimento pertence a Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica.
Mas qual é a admiração desta situação? Simples: Hélder Martins, o autor da peça, vem dizer-nos que a Refer, empresa do Estado (portanto: o Estado) está apagar a esta situação ilegal uma renda de 9 milhões de euros em cinco anos de contrato de aluguer para os seus escritórios de engenharia.
Sabemos agora oficialmente várias coisas sobre as candidaturas à esquerda para Lisboa e Porto.
Primeiro: que no Porto o BE não quer coligação com a CDU e o PS porque a CDU votou não sei o quê com o PSD… Peço ao meu amigo Calos Marques que telefone para lá e diga só o seguinte ao Lopes de lá: «Cala-te com isso, pá. Nós (Bloco) aqui em Lisboa também votámos com o PSD e o PS aquela vergonha do acordo Parque Mayer/Terrenos da Feira Popular. Ajudámos politicamente o Carmona e o Santana e ajudámos financeiramente os empresários envolvidos, com milhões de lucros à custa do erário municipal». E já agora, Carlos, peço que lhe peças só isto: «Tu, está mas é caladinho!».
Segundo: sabemos que estão na calha conversações PS/PCP e certamente também PS/BE, e depois com certeza PS/PCP/BE para lista conjunta a fim de derrotar esta maioria.
Terceiro: da parte do PCP sabemos agora duas coisas: que a coligação, se a houver, deve corrigir as malfeitorias da direita na CML; e que, em primeiro lugar, devem ser discutidos programas de acção e só depois nomes e quotas e lugares.
Candidatos
A Eurosondagem fez mais uma consulta para o «Expresso», a SIC e a Rádio Renascença. Em causa, a comparação de votações para candidatos PS e PSD. Resultados, por esta ordem: do lado do PS: Carrilho, Ferro Rodrigues, Mega Ferreira; do lado do PSD: Carmona, Seara, Santana.
O que a Eurosondagem não sabe é que podem aparecer outras candidaturas, quer de um lado quer do outro…
Candidatura PS
Aleluia! Esta semana da Páscoa vai saber-se quem vai titular a candidatura do PS à CML. Mantêm-se na «poole position», declaradamente, Carrilho e Soares. Ferro diz que não. Mega disse que não. Não digo que não estão. Digo o que leio que disseram.
Mas intuo que pode interferir aqui uma hipótese de «quotas» de solução/compensação. Para a semana falamos.
João Soares
Apaixonado, perdeu/perdemos. Apaixonado quer ganhar Lisboa. Está na corrida: «Eu incluído», disse à Cristina Rita, do «Correio da Manhã». E mais: «A Concelhia de Lisboa do PS nunca foi decente comigo». Mas «faça-se uma sondagem com os nomes todos para ver de quem os lisboetas gostam mais».
PS concelhio
A Rui Arala Chaves, também do «CM», Miguel Coelho, líder concelhio, disse que, em coligação, o PS quer a parte de leão, como titula o jornal: «presidência da CML e a maioria em todos os órgãos, Assembleia e juntas incluídas». Não será muito? Esta Concelhia, está convencida de que o PS ganha sozinho, porque julga que o PSD está morto. Mas não está. E há riscos.
Nível mais alto
A discussão destas matérias, ao que se sabe, sobe ao mais alto nível. E pode abranger vários casos, além de Lisboa e Porto: «as grandes urbes», como disse Mário Soares. Há umas semanas escrevi aqui exemplos: Gaia, Gondomar, Sintra, Cascais.
Art’s, na Parque Expo
O «Expresso»/ Economia da sábado traz a história de um empreendimento na Expo, o Art’s Busness & Hotel Center. Não tem licença de utilização. E pelos vistos vai demorar até que tenha. A menos que o novo vereador responsável pela zona, Fontão de Carvalho, meta mãos à obra e desembrulhe o imbróglio.
O empreendimento pertence a Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica.
Mas qual é a admiração desta situação? Simples: Hélder Martins, o autor da peça, vem dizer-nos que a Refer, empresa do Estado (portanto: o Estado) está apagar a esta situação ilegal uma renda de 9 milhões de euros em cinco anos de contrato de aluguer para os seus escritórios de engenharia.
Jornal das 11 / Dia 21 de Março
Finanças da CML: a dívida gigantesca galopa dia a dia
Havia rumores, preocupações, mas ninguém estava alarmado, aparentemente.
De repente, tudo mudou.
Primeiro, apareceu uma notícia.
É de 211 milhões de euros a dívida da CML a fornecedores. Foi assim que tudo começou, na semana passada: Anabela Mendes, no ‘seu’ «Público», colocou os pontos nos «is» (a propósito: a dívida reconhecida no final de 2003 foi de 93 milhões de euros e a do final de 2004 foi de 211, como ela escreveu, portanto, o crescimento foi de 118 milhões só num ano: a dívida da CML cresceu 126% num só ano!!).
Vão mal as Finanças da CML.
Razão tinha Martinho Baptista, líder da bancada do PCP na Assembleia Municipal para, em 30 de Novembro do ano passado, perguntar: «Os serviços estão parados por falta de dinheiro? Adiam-se investimentos por insuficiência financeira? As empreitadas iniciadas não avançam por falta de pagamento? As dívidas a curto prazo estão a aumentar a uma velocidade vertiginosa? Qual o montante desta dívida?»
Martinho Baptista acaba de me informar de que nunca recebeu uma resposta oficial às perguntas que fez. Caíram portanto em saco roto.
Truques
Mas, a propósito de finanças, e no que se refere à dívida que a CML terá para com terceiros, uma visitante do ‘blog’ fornece as seguintes adendas ao que aqui publiquei há dias, adendas que colocam a dívida bem mais acima e a tornam bem mais preocupante:
1. Quanto a fornecedores, «a dívida oficial até poderá ser só de 211 milhões de euros, mas a dívida real é muito maior, se desmontarmos os truques. São eles os seguintes: uma factura retida não entra nas contas como dívida. E há muitas. Uma factura que circula para completar o processo, não entra nas contas. E há muitas».
Enquanto o pau vai e vem, digo eu, folgam as costas.
E a visitante continua, porque há mais: «Mas há outro truque ainda mais revoltante. Consiste em pedir por antecipação os recibos, mesmo sem pagar. Entrou o recibo, está pago, essa dívida não conta».
2. Quanto a entidades para com as quais a CML tem «grandes dívidas», esta visitante cita as seguintes: «a) a banca, num valor enorme, indeterminado; b) a Parque Expo, num valor que rondará os 100 a 150 milhões de euros; c) SIMTejo, empresa de saneamento: mais de 30 milhões».
Registo a informação, com o valor que tiver.
Oposição dá o alarme
A ser assim, o total da dívida pode situar-se perto dos 500 milhões de euros ou mais, sei lá…
E ainda faltam seis meses e meio deste mandato, com despesas galopantes.
É aí que se coloca o alerta dado pela oposição: isto pode comprometer o próximo mandato. E Santana Lopes, provavelmente já estará noutra.
Aliás, sobre a dívida da CML, Vasco Franco (PS) e António Abreu (PCP) foram muito duros. Disse o primeiro mais ou menos isto: «Exigimos da CML um plano de soluções, reduzir despesas e repor o prestígio da CML junto da banca nacional e internacional – que, no final do mandato passado estava ao nível do do Estado». E hoje está no degrau zero, acrescento.
E António Abreu: «A CML está de tanga. Já há filas de credores à porta da câmara», cito de cor, a partir de «A Capital», em artigo assinado pela Marta Moreira, a quem Abreu acrescentou não concordar com a venda de terrenos para pagar a dívida: «Os terrenos são o bem mais precioso do município», disse, pelo que há que geri-los com parcimónia e bom-senso, e não desbaratá-los, acrescento.
Sabedoria popular
Ainda a propósito do mesmo assunto, a população provavelmente sabe mais disto do que muitos pensam.
Digo isto porque no fim-de-semana, comentando com o dono do bar onde paro habitualmente, fora de Lisboa, espeta-me com este raciocínio:
«Não tenha pena das empresas a quem a câmara deve. Porque eles, quando facturam, já contam com esses atrasos de anos, facturam logo o dobro do valor da obra. E assim, quando a câmara pagar metade, já pagou tudo. O resto, quando vier, é tudo limpinho».
E disse mais: «Se nos facturassem assim a nós (aos comerciantes e outros empresários privados, quer ele dizer), estávamos todos falidos».
Concluiu ainda que «por isso é que o país não anda para a frente».
É a sabedoria do povo, que, em muitos casos, já vê a gestão ruinosa das finanças do Estado como se fosse uma fatalidade…
Promessas de 2001
Continuando o rol de promessas para cumprir nestes seis meses e meio por parte da maioria e do PSD, hoje recordo em síntese uma parte das promessas feitas aos jovens de Lisboa:
1. Apoiar a criação de clubes jovens de teatro, vídeo, fotografia e música.
2. Criar o Mega-Espaço da Juventude: Sete Colinas/Sete Vertentes, para cultura, debates, colóquios, desportos de sala, comércio…
3. Conselho Municipal da Juventude operativo e renovado.
4. Transformar a Cidade Universitária num verdadeiro «Campus» Universitário: melhorar o espaço, criar infa-estruturas de apoio, criar mais e melhores residências universitárias.
Força! Mãos à obra!
Dois poemas de Zé Afonso
O prometido é devido. Poesia. Dois excertos de poemas do Zeca. O primeiro tem por título: «Vejam bem»:
Vejam bem /Que não há/só gaivotas/em terra/Quando um homem/se põe/a pensar
Quem lá vem/Dorme à noite/ao relento/N’ areia/Dorme à noite/ao relento /do mar
E se houver/Uma praça/de gente madura/E uma estátua/de febre/a arder
Anda alguém/Pela noite/de breu/à procura/E não há/quem lhe queira/valer
O segundo, de que transcrevo só um extracto é o também conhecido «Vampiros», que é o que mais por aí há. Recordo:
«No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vêem em bandos
Com pés de veludo
Chupar o sangue
fresco da manada
…
A toda a parte
chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
…
São os mordomos
do universo todo
Senhores à força
mandadores sem lei
…
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada»
Havia rumores, preocupações, mas ninguém estava alarmado, aparentemente.
De repente, tudo mudou.
Primeiro, apareceu uma notícia.
É de 211 milhões de euros a dívida da CML a fornecedores. Foi assim que tudo começou, na semana passada: Anabela Mendes, no ‘seu’ «Público», colocou os pontos nos «is» (a propósito: a dívida reconhecida no final de 2003 foi de 93 milhões de euros e a do final de 2004 foi de 211, como ela escreveu, portanto, o crescimento foi de 118 milhões só num ano: a dívida da CML cresceu 126% num só ano!!).
Vão mal as Finanças da CML.
Razão tinha Martinho Baptista, líder da bancada do PCP na Assembleia Municipal para, em 30 de Novembro do ano passado, perguntar: «Os serviços estão parados por falta de dinheiro? Adiam-se investimentos por insuficiência financeira? As empreitadas iniciadas não avançam por falta de pagamento? As dívidas a curto prazo estão a aumentar a uma velocidade vertiginosa? Qual o montante desta dívida?»
Martinho Baptista acaba de me informar de que nunca recebeu uma resposta oficial às perguntas que fez. Caíram portanto em saco roto.
Truques
Mas, a propósito de finanças, e no que se refere à dívida que a CML terá para com terceiros, uma visitante do ‘blog’ fornece as seguintes adendas ao que aqui publiquei há dias, adendas que colocam a dívida bem mais acima e a tornam bem mais preocupante:
1. Quanto a fornecedores, «a dívida oficial até poderá ser só de 211 milhões de euros, mas a dívida real é muito maior, se desmontarmos os truques. São eles os seguintes: uma factura retida não entra nas contas como dívida. E há muitas. Uma factura que circula para completar o processo, não entra nas contas. E há muitas».
Enquanto o pau vai e vem, digo eu, folgam as costas.
E a visitante continua, porque há mais: «Mas há outro truque ainda mais revoltante. Consiste em pedir por antecipação os recibos, mesmo sem pagar. Entrou o recibo, está pago, essa dívida não conta».
2. Quanto a entidades para com as quais a CML tem «grandes dívidas», esta visitante cita as seguintes: «a) a banca, num valor enorme, indeterminado; b) a Parque Expo, num valor que rondará os 100 a 150 milhões de euros; c) SIMTejo, empresa de saneamento: mais de 30 milhões».
Registo a informação, com o valor que tiver.
Oposição dá o alarme
A ser assim, o total da dívida pode situar-se perto dos 500 milhões de euros ou mais, sei lá…
E ainda faltam seis meses e meio deste mandato, com despesas galopantes.
É aí que se coloca o alerta dado pela oposição: isto pode comprometer o próximo mandato. E Santana Lopes, provavelmente já estará noutra.
Aliás, sobre a dívida da CML, Vasco Franco (PS) e António Abreu (PCP) foram muito duros. Disse o primeiro mais ou menos isto: «Exigimos da CML um plano de soluções, reduzir despesas e repor o prestígio da CML junto da banca nacional e internacional – que, no final do mandato passado estava ao nível do do Estado». E hoje está no degrau zero, acrescento.
E António Abreu: «A CML está de tanga. Já há filas de credores à porta da câmara», cito de cor, a partir de «A Capital», em artigo assinado pela Marta Moreira, a quem Abreu acrescentou não concordar com a venda de terrenos para pagar a dívida: «Os terrenos são o bem mais precioso do município», disse, pelo que há que geri-los com parcimónia e bom-senso, e não desbaratá-los, acrescento.
Sabedoria popular
Ainda a propósito do mesmo assunto, a população provavelmente sabe mais disto do que muitos pensam.
Digo isto porque no fim-de-semana, comentando com o dono do bar onde paro habitualmente, fora de Lisboa, espeta-me com este raciocínio:
«Não tenha pena das empresas a quem a câmara deve. Porque eles, quando facturam, já contam com esses atrasos de anos, facturam logo o dobro do valor da obra. E assim, quando a câmara pagar metade, já pagou tudo. O resto, quando vier, é tudo limpinho».
E disse mais: «Se nos facturassem assim a nós (aos comerciantes e outros empresários privados, quer ele dizer), estávamos todos falidos».
Concluiu ainda que «por isso é que o país não anda para a frente».
É a sabedoria do povo, que, em muitos casos, já vê a gestão ruinosa das finanças do Estado como se fosse uma fatalidade…
Promessas de 2001
Continuando o rol de promessas para cumprir nestes seis meses e meio por parte da maioria e do PSD, hoje recordo em síntese uma parte das promessas feitas aos jovens de Lisboa:
1. Apoiar a criação de clubes jovens de teatro, vídeo, fotografia e música.
2. Criar o Mega-Espaço da Juventude: Sete Colinas/Sete Vertentes, para cultura, debates, colóquios, desportos de sala, comércio…
3. Conselho Municipal da Juventude operativo e renovado.
4. Transformar a Cidade Universitária num verdadeiro «Campus» Universitário: melhorar o espaço, criar infa-estruturas de apoio, criar mais e melhores residências universitárias.
Força! Mãos à obra!
Dois poemas de Zé Afonso
O prometido é devido. Poesia. Dois excertos de poemas do Zeca. O primeiro tem por título: «Vejam bem»:
Vejam bem /Que não há/só gaivotas/em terra/Quando um homem/se põe/a pensar
Quem lá vem/Dorme à noite/ao relento/N’ areia/Dorme à noite/ao relento /do mar
E se houver/Uma praça/de gente madura/E uma estátua/de febre/a arder
Anda alguém/Pela noite/de breu/à procura/E não há/quem lhe queira/valer
O segundo, de que transcrevo só um extracto é o também conhecido «Vampiros», que é o que mais por aí há. Recordo:
«No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vêem em bandos
Com pés de veludo
Chupar o sangue
fresco da manada
…
A toda a parte
chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
…
São os mordomos
do universo todo
Senhores à força
mandadores sem lei
…
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada»
sexta-feira, março 18, 2005
Repito a...
... Declaração de Arranque
Quando, há três semanas, iniciei esta frente de luta, fiz a declaração que segue, e que repito:
Este «blog» é um carro de combate. Confesso. E só prometo duas coisas: vou ser honesto, e não vou ceder a pressões. Aqui você vai encontrar muitas coisas que nunca ninguém disse sobre a Cidade de Lisboa - como está e o que dela fizeram nestes últimos anos. Tudo o mais... que vão dar uma volta. Volte aqui todos os dias, a partir das onze da manhã (e, depois, à 17) - excepto sábados, domingos e feriados - salvo em caso de emergência... Bem-vindo!
Jornal das 17 horas / dia 18 de Março / 2ª edição
Festa rija
Entre 21 e 28, mesmo sem dinheiro para mandar cantar um cego, a CML vai dar festa aos jovens. É a semana deles.
Teatro. Cinema. Exposições. Concertos à borla.
Serão 450 iniciativas. 20 locais de animação. Onde é que eu já vi isto? Parece que recuámos no tempo dois anos.
Tudo isto, a coincidir ainda com a abertura do Espaço Lx Diversão (quanto paga a CML através da EGEAC e da EMEL – se é que paga)?
Donde virá tanta massa, assim de repente. Ao mesmo tempo que os fornecedores estão a arder e as juntas de freguesia estranguladas?
Milhares. Muitos milhares. Dezenas de milhares de euros.
Mas não há dinheiro.
Vai crescer ainda mais a dívida a fornecedores. É isso?
Em todo o caso, parece que há uma solução muito simples à vista: vender, vender, vender terrenos. Que é o mesmo que dizer: vá, senhores da banca, senhores empresários, comprem, comprem que vai ser «barata feira», como se diz lá na minha terra. Encham-se, que a CML está «à rasca».
Uma certa maneira…
Há uma certa maneira de fazer notícias que me irrita desde os tempos do «Notícias da Amadora», onde comecei, há mais de 30 anos, a aprender questões de ética, deontologia, escrita correcta e escorreita, e onde sempre combatemos este vício de alguns jornalistas de outros jornais.
Que vício é?
Saltam-me logo à vista títulos como este: «Zonas centrais ganham 15 mil novos residentes». Vem no «Destak» de ontem. Mas podia vir em (e já aconteceu com) outros órgãos bem mais… ‘firmes’, digamos assim.
Por que razão me irrita este modelo?
O título encima a notícia (30 linhas) sobre o celebrado programa da CML através da Ambelis e de outras entidades. É um mero projecto de trabalho. Um programa de intenções e por enquanto não passa disso – talvez até nunca passe disso mesmo: carne para canhão nesta roda-viva de promoção, promoção, promoção. Mas o jornal já o dá como concretizado, pelo menos para quem só ler o título.
E é sabido que uma percentagem significativa de pessoas só lê o título. Mas, que assim não fosse: é mentira. As zonas centrais não ganham residente nenhum. Quando muito, vão ganhar, e se ganharem. Mas, pronto, o correcto seria escrever «vão ganhar». E, por favor, não me venham com a história estafada da necessidade de poupar palavras nos títulos… Este é um ‘blog’ de combate político, como tenho escrito vezes sem conta. E, do ponto de vista político, denuncio que aquele título é, a todos os títulos, um frete político. É uma certa maneira de fazer política. Sem hesitação, o digo, até porque esta cena se repete demasiadas vezes por essa imprensa fora.
O negócio da vida do Belenenses
Vamos voltar meio ano atrás. Na altura, um grupo de moradores contestou fortemente um loteamento do Clube de Futebol Os Belenenses, clube que, a concretizar-se o empreendimento, pode ter virado empresário de grande construção civil «aparentemente, em coligação com duas grandes empresas privadas da área de Lisboa», como escrevi na altura. Está na hora de voltar ao contacto com estes moradores e voltar a acompanhar o caso. Então previ que
«sobre este assunto, ainda há-de correr muita tinta. Mas, pelo que já se sabe, esta é a oportunidade de negócio da vida do Belenenses. Num terreno desportivo construir mais de 350 casas, é obra. Pareceria que tal não seria nem possível, nem desejável, nem autorizável. Mas é. O mistério de Belém é no que dá.
O que não se percebe é se o Plano Director Municipal o permitirá.
Não sabemos se quando, em 1990 ou pouco depois, a CML cedeu os terrenos ao Belenenses condicionou ou não a sua utilização a fins desportivos em exclusivo. É natural que sim.
Não se sabe se os acordos anteriores celebrados entre o clube e a autarquia permitirão tal utilização dos solos em causa ou antes os condicionam a uso desportivo.
Não se sabe de repente se o velho Belenenses sente ou não incompatibilidade com este tipo de negócio. Nem se mesmo questões de sobrevivência se coadunam com as negociatas da construção civil… sabido como é que noutros casos célebres em Lisboa (Sporting e Benfica) houve tanto sururu por esta mesma razão.
Enfim. Muita tinta pode ainda correr. A Associação de Moradores local garante que está atenta e que procurará por todos os meios impedir o que apelida de «projecto megalómano». Nisto, merece todo o apoio.»
Vou voltar ao tema já na semana que vem – a qual, em matéria de ‘blog’ termina na 5ª-feira, não esquecer…
Para já, bom fim de semana.
Entre 21 e 28, mesmo sem dinheiro para mandar cantar um cego, a CML vai dar festa aos jovens. É a semana deles.
Teatro. Cinema. Exposições. Concertos à borla.
Serão 450 iniciativas. 20 locais de animação. Onde é que eu já vi isto? Parece que recuámos no tempo dois anos.
Tudo isto, a coincidir ainda com a abertura do Espaço Lx Diversão (quanto paga a CML através da EGEAC e da EMEL – se é que paga)?
Donde virá tanta massa, assim de repente. Ao mesmo tempo que os fornecedores estão a arder e as juntas de freguesia estranguladas?
Milhares. Muitos milhares. Dezenas de milhares de euros.
Mas não há dinheiro.
Vai crescer ainda mais a dívida a fornecedores. É isso?
Em todo o caso, parece que há uma solução muito simples à vista: vender, vender, vender terrenos. Que é o mesmo que dizer: vá, senhores da banca, senhores empresários, comprem, comprem que vai ser «barata feira», como se diz lá na minha terra. Encham-se, que a CML está «à rasca».
Uma certa maneira…
Há uma certa maneira de fazer notícias que me irrita desde os tempos do «Notícias da Amadora», onde comecei, há mais de 30 anos, a aprender questões de ética, deontologia, escrita correcta e escorreita, e onde sempre combatemos este vício de alguns jornalistas de outros jornais.
Que vício é?
Saltam-me logo à vista títulos como este: «Zonas centrais ganham 15 mil novos residentes». Vem no «Destak» de ontem. Mas podia vir em (e já aconteceu com) outros órgãos bem mais… ‘firmes’, digamos assim.
Por que razão me irrita este modelo?
O título encima a notícia (30 linhas) sobre o celebrado programa da CML através da Ambelis e de outras entidades. É um mero projecto de trabalho. Um programa de intenções e por enquanto não passa disso – talvez até nunca passe disso mesmo: carne para canhão nesta roda-viva de promoção, promoção, promoção. Mas o jornal já o dá como concretizado, pelo menos para quem só ler o título.
E é sabido que uma percentagem significativa de pessoas só lê o título. Mas, que assim não fosse: é mentira. As zonas centrais não ganham residente nenhum. Quando muito, vão ganhar, e se ganharem. Mas, pronto, o correcto seria escrever «vão ganhar». E, por favor, não me venham com a história estafada da necessidade de poupar palavras nos títulos… Este é um ‘blog’ de combate político, como tenho escrito vezes sem conta. E, do ponto de vista político, denuncio que aquele título é, a todos os títulos, um frete político. É uma certa maneira de fazer política. Sem hesitação, o digo, até porque esta cena se repete demasiadas vezes por essa imprensa fora.
O negócio da vida do Belenenses
Vamos voltar meio ano atrás. Na altura, um grupo de moradores contestou fortemente um loteamento do Clube de Futebol Os Belenenses, clube que, a concretizar-se o empreendimento, pode ter virado empresário de grande construção civil «aparentemente, em coligação com duas grandes empresas privadas da área de Lisboa», como escrevi na altura. Está na hora de voltar ao contacto com estes moradores e voltar a acompanhar o caso. Então previ que
«sobre este assunto, ainda há-de correr muita tinta. Mas, pelo que já se sabe, esta é a oportunidade de negócio da vida do Belenenses. Num terreno desportivo construir mais de 350 casas, é obra. Pareceria que tal não seria nem possível, nem desejável, nem autorizável. Mas é. O mistério de Belém é no que dá.
O que não se percebe é se o Plano Director Municipal o permitirá.
Não sabemos se quando, em 1990 ou pouco depois, a CML cedeu os terrenos ao Belenenses condicionou ou não a sua utilização a fins desportivos em exclusivo. É natural que sim.
Não se sabe se os acordos anteriores celebrados entre o clube e a autarquia permitirão tal utilização dos solos em causa ou antes os condicionam a uso desportivo.
Não se sabe de repente se o velho Belenenses sente ou não incompatibilidade com este tipo de negócio. Nem se mesmo questões de sobrevivência se coadunam com as negociatas da construção civil… sabido como é que noutros casos célebres em Lisboa (Sporting e Benfica) houve tanto sururu por esta mesma razão.
Enfim. Muita tinta pode ainda correr. A Associação de Moradores local garante que está atenta e que procurará por todos os meios impedir o que apelida de «projecto megalómano». Nisto, merece todo o apoio.»
Vou voltar ao tema já na semana que vem – a qual, em matéria de ‘blog’ termina na 5ª-feira, não esquecer…
Para já, bom fim de semana.
Jornal das 11 / Dia 18 de Março / 1ª edição
A primeira sessão
Está a iniciar-se neste exacto momento a primeira sessão do novo ciclo da CML. Com uma novidade: é privada, completamente privada. Não é sequer aberta a jornalistas.
Santo Estêvão: mais uma freguesia preocupada
A falta de cumprimento dos protocolos de descentralização de competências por parte da CML para as freguesias, como tenho vindo a sublinhar, está a deixar muitos autarcas desanimados. Lurdes Pinheiro, presidente da junta de Santo Estêvão, é mais uma das eleitas que vêem com muita preocupação o que se está a passar.
«Fortíssima preocupação» e «angústia» são os temos usados. A aproximação da data de pagamento dos ordenados às pessoas que colaboram com a junta quer nos protocolos quer mesmo os próprios funcionários, sem que as verbas que a câmara deve, cria situações de desespero. É que «as juntas têm estado a adiantar as verbas dos protocolos a partir das suas receitas gerais» Mas se essa almofada acaba, «e em Santo Estêvão já não aguentamos mais», então podem estar em risco outros compromissos da junta.
«Diligências permanentes» feitas pela presidente da junta de Santo Estêvão junto do vice-presidente da CML, não deram até ontem à noite qualquer resultado prático – e essa é que é a questão: passar das promessas de solução aos actos de pagar mesmo e transferir as verbas em falta para as juntas.
É opinião desta autarca que muitas juntas devem estar com a corda na garganta, porque estas autarquias de nível mais pequeno não têm suportes financeiros.
Vasco Franco na Expo?
Depois de me terem sido sopradas várias opções - e tendo eu, só cá para mim, aventado uma secretaria de Estado, a da Habitação - , final parece seguro que Vasco Franco será o próximo presidente da Parque Expo. A informação vem no «Independente» de hoje e tem esse valor...
Não vai ser osso fácil de roer, segundo me dizem. Até porque a CML é um dos parceiros devedores!
Se se confirmar a nomeação, um bom desempenho, é o meu desejo, evidentemente!
Caras novas
Já se vêem caras novas na Praça do Município. Não só as que foram dali para São Bento e agora regressaram, pelo menos em parte. Também há novatos e novatas. Isso nota-se logo, até pela inépcia a lidar com as entradas e saídas do parque de estacionamento da Praça do Município. Os rituais já são conhecidos dos «habitués», mas constituem um quebra-cabeças para os estreantes. E já os há. Bem-vindos...
Quanto pior, melhor?
Pessoa amiga, visitante do ‘blog’, sugere uma tese não tão absurda como isso, perante os números que o «Público» divulgou ontem sobre a dívida a fornecedores, e referida na 1ª edição de ontem. A tese é a seguinte: com tais dívidas, o bom-senso aconselharia a que a CML não se metesse em cavalarias altas. Mas não é isso que se vê, antes pelo contrário (ver adiante, por exemplo, o programa da Semana da Juventude e o mais que mais adiante se verá). Portanto, só há uma explicação: levar a dívida até níveis de desgaste de imagem, de modo a que os adversários não tenham grande apetência para ficarem 30 anos a pagar as dívidas deste mandato… e desistam mesmo antes de se candidatarem.
Parece um raciocínio absurdo à partida. Mas lá que o resultado prático pode ser esse, disso não restam dúvidas.
Já viu o que será destes números daqui a sete meses? Se de 2004 para agora a dívida passa de 100 para 211 milhões, um crescimento de 110%, verdadeiramente exponencial, então no fim de 2005 vai aos 440 milhões??
É muito, não é?
Quem vier atrás que feche a porta.
Moda Lisboa
Santana regressou à CML mesmo a tempo da Moda Lisboa.
Mesmo sem o brilho da edição de 2004, segundo sei, este é, mesmo assim, o maior acontecimento mediático desta semana, ‘tá a ver?
Leio que, dos 900 mil euros que a CML prometeu à organização, afinal só vai poder disponibilizar 450 mil – mas ainda não o fez, pelo que o evento está a decorrer sem orçamento.
Mal vão as coisas se já nem para a Moda Lisboa há dinheiro.
Números redondos
O anúncio da reabilitação de 10 mil fogos em 500 prédios no miolo da Cidade para entregar a jovens por baixo preço é uma medida de marketing muito bem concebida. O vereador do PCP António Abreu disse que «isto é a programação da EPUL Jovem mas com roupagens de muita promoção». Ou seja: foi usada grande imaginação para vender o mesmo ‘produto’. Quem sabe, sabe. O resto é conversa.
Agora que se trata de números bonitos, disso não tenho dúvidas. 10 000. Soa bem. 500. É bonito. Números redondinhos, sabe?
Para este efeito, só é pena que, depois, o número de anos de concretização do programa não seja de 10 anos. 10. Não: é só de oito. É pena. Ficava melhor 10. É a minha opinião.
Ainda sete meses para cumprir
Santana Lopes, e bem, disse em comunicado que voltava para cumprir o que prometeu à Cidade nas eleições autárquicas de 2001.
Ainda tem sete meses para cumprir o que falta. E não é pouco.
Nas próximas edições do «lisboalisboa», vou inserir resumos, capítulo a capítulo, do Programa Eleitoral com que o PSD ganhou as eleições nessa altura.
Hoje, para começar, e por mero acaso na escolha, recordo o capítulo «Acção Social», apenas em dois pontos (para a semana há mais): idosos e sem-abrigo.
Era assim:
Idosos
1. Cartão para todos os idosos de mais de 60 anos, para obtenção de descontos em lojas, actividades culturais e museus.
2. Parceria com a PSP para vigilância da morada e acompanhamento dos idosos ao Banco.
3. Linha telefónica 24 horas por dia para pequenos serviços: compra de medicamentos, marcação de consultas, marcação de tratamentos…
4. Recuperação e transformação de edifícios pertencentes à CML em residências para idosos, tipo aparthotel.
5. Criação de clubes onde os idosos possam tomar refeições, conviver, frequentar cursos.
Sem-abrigo
1. Concepção de residências para sem-abrigo, disseminadas pela Cidade.
2. Criação de um programa de formação profissional.
… Só se pode dizer que são boas intenções. E desejar bom sucesso na concretização destes pontos. Mãos à obra. Trabalho não falta.
Público 1990-2005
Faz 15 anos, o jornal. Penso que ainda não perdi um número desde aquela semana em que, estando eu ainda a trabalhar na presidência da câmara da Amadora, dezenas de amigos meus e outros fizeram as primeiras edições. Só lamento que, quando estou de férias no País mas fora de Lisboa e arredores, não tenha acesso, na edição impressa, ao noticiário de Lisboa. Mas enfim...
E, sim, fui convidado para a festa no Kais, dia 21 às 21. Já confirmei por telefone. Lá estarei.
Até lá...
Arrendamento urbano
Esta lei está a levantar imensa polémica: rever é certo. Consta do programa do governo Sócrates. Como, é a questão. Numa próxima edição do 'blog' vai sair um artigo de um especialista na matéria: o dr. Lino Paulo, ex-vereador da CDU em Sintra.
Está a iniciar-se neste exacto momento a primeira sessão do novo ciclo da CML. Com uma novidade: é privada, completamente privada. Não é sequer aberta a jornalistas.
Santo Estêvão: mais uma freguesia preocupada
A falta de cumprimento dos protocolos de descentralização de competências por parte da CML para as freguesias, como tenho vindo a sublinhar, está a deixar muitos autarcas desanimados. Lurdes Pinheiro, presidente da junta de Santo Estêvão, é mais uma das eleitas que vêem com muita preocupação o que se está a passar.
«Fortíssima preocupação» e «angústia» são os temos usados. A aproximação da data de pagamento dos ordenados às pessoas que colaboram com a junta quer nos protocolos quer mesmo os próprios funcionários, sem que as verbas que a câmara deve, cria situações de desespero. É que «as juntas têm estado a adiantar as verbas dos protocolos a partir das suas receitas gerais» Mas se essa almofada acaba, «e em Santo Estêvão já não aguentamos mais», então podem estar em risco outros compromissos da junta.
«Diligências permanentes» feitas pela presidente da junta de Santo Estêvão junto do vice-presidente da CML, não deram até ontem à noite qualquer resultado prático – e essa é que é a questão: passar das promessas de solução aos actos de pagar mesmo e transferir as verbas em falta para as juntas.
É opinião desta autarca que muitas juntas devem estar com a corda na garganta, porque estas autarquias de nível mais pequeno não têm suportes financeiros.
Vasco Franco na Expo?
Depois de me terem sido sopradas várias opções - e tendo eu, só cá para mim, aventado uma secretaria de Estado, a da Habitação - , final parece seguro que Vasco Franco será o próximo presidente da Parque Expo. A informação vem no «Independente» de hoje e tem esse valor...
Não vai ser osso fácil de roer, segundo me dizem. Até porque a CML é um dos parceiros devedores!
Se se confirmar a nomeação, um bom desempenho, é o meu desejo, evidentemente!
Caras novas
Já se vêem caras novas na Praça do Município. Não só as que foram dali para São Bento e agora regressaram, pelo menos em parte. Também há novatos e novatas. Isso nota-se logo, até pela inépcia a lidar com as entradas e saídas do parque de estacionamento da Praça do Município. Os rituais já são conhecidos dos «habitués», mas constituem um quebra-cabeças para os estreantes. E já os há. Bem-vindos...
Quanto pior, melhor?
Pessoa amiga, visitante do ‘blog’, sugere uma tese não tão absurda como isso, perante os números que o «Público» divulgou ontem sobre a dívida a fornecedores, e referida na 1ª edição de ontem. A tese é a seguinte: com tais dívidas, o bom-senso aconselharia a que a CML não se metesse em cavalarias altas. Mas não é isso que se vê, antes pelo contrário (ver adiante, por exemplo, o programa da Semana da Juventude e o mais que mais adiante se verá). Portanto, só há uma explicação: levar a dívida até níveis de desgaste de imagem, de modo a que os adversários não tenham grande apetência para ficarem 30 anos a pagar as dívidas deste mandato… e desistam mesmo antes de se candidatarem.
Parece um raciocínio absurdo à partida. Mas lá que o resultado prático pode ser esse, disso não restam dúvidas.
Já viu o que será destes números daqui a sete meses? Se de 2004 para agora a dívida passa de 100 para 211 milhões, um crescimento de 110%, verdadeiramente exponencial, então no fim de 2005 vai aos 440 milhões??
É muito, não é?
Quem vier atrás que feche a porta.
Moda Lisboa
Santana regressou à CML mesmo a tempo da Moda Lisboa.
Mesmo sem o brilho da edição de 2004, segundo sei, este é, mesmo assim, o maior acontecimento mediático desta semana, ‘tá a ver?
Leio que, dos 900 mil euros que a CML prometeu à organização, afinal só vai poder disponibilizar 450 mil – mas ainda não o fez, pelo que o evento está a decorrer sem orçamento.
Mal vão as coisas se já nem para a Moda Lisboa há dinheiro.
Números redondos
O anúncio da reabilitação de 10 mil fogos em 500 prédios no miolo da Cidade para entregar a jovens por baixo preço é uma medida de marketing muito bem concebida. O vereador do PCP António Abreu disse que «isto é a programação da EPUL Jovem mas com roupagens de muita promoção». Ou seja: foi usada grande imaginação para vender o mesmo ‘produto’. Quem sabe, sabe. O resto é conversa.
Agora que se trata de números bonitos, disso não tenho dúvidas. 10 000. Soa bem. 500. É bonito. Números redondinhos, sabe?
Para este efeito, só é pena que, depois, o número de anos de concretização do programa não seja de 10 anos. 10. Não: é só de oito. É pena. Ficava melhor 10. É a minha opinião.
Ainda sete meses para cumprir
Santana Lopes, e bem, disse em comunicado que voltava para cumprir o que prometeu à Cidade nas eleições autárquicas de 2001.
Ainda tem sete meses para cumprir o que falta. E não é pouco.
Nas próximas edições do «lisboalisboa», vou inserir resumos, capítulo a capítulo, do Programa Eleitoral com que o PSD ganhou as eleições nessa altura.
Hoje, para começar, e por mero acaso na escolha, recordo o capítulo «Acção Social», apenas em dois pontos (para a semana há mais): idosos e sem-abrigo.
Era assim:
Idosos
1. Cartão para todos os idosos de mais de 60 anos, para obtenção de descontos em lojas, actividades culturais e museus.
2. Parceria com a PSP para vigilância da morada e acompanhamento dos idosos ao Banco.
3. Linha telefónica 24 horas por dia para pequenos serviços: compra de medicamentos, marcação de consultas, marcação de tratamentos…
4. Recuperação e transformação de edifícios pertencentes à CML em residências para idosos, tipo aparthotel.
5. Criação de clubes onde os idosos possam tomar refeições, conviver, frequentar cursos.
Sem-abrigo
1. Concepção de residências para sem-abrigo, disseminadas pela Cidade.
2. Criação de um programa de formação profissional.
… Só se pode dizer que são boas intenções. E desejar bom sucesso na concretização destes pontos. Mãos à obra. Trabalho não falta.
Público 1990-2005
Faz 15 anos, o jornal. Penso que ainda não perdi um número desde aquela semana em que, estando eu ainda a trabalhar na presidência da câmara da Amadora, dezenas de amigos meus e outros fizeram as primeiras edições. Só lamento que, quando estou de férias no País mas fora de Lisboa e arredores, não tenha acesso, na edição impressa, ao noticiário de Lisboa. Mas enfim...
E, sim, fui convidado para a festa no Kais, dia 21 às 21. Já confirmei por telefone. Lá estarei.
Até lá...
Arrendamento urbano
Esta lei está a levantar imensa polémica: rever é certo. Consta do programa do governo Sócrates. Como, é a questão. Numa próxima edição do 'blog' vai sair um artigo de um especialista na matéria: o dr. Lino Paulo, ex-vereador da CDU em Sintra.
Veja mais abaixo a 2ª edição de hoje: 17 horas / dia 17 de Março
O prometido é devido.
Aí fica a proposta de Resolução que o Partido Ecologista «Os Verdes» vai apresentar ao Governo sobre os impactes ambientais do Túnel do Marquês:
Impactes Ambientais do Túnel do Marquês
«Projecto de Resolução
Recomenda o Procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental ao Túnel do Marquês
Através do Despacho nº. 3749/2005, publicado na II Série do Diário da República de 21 de Fevereiro, foi declarada a extinção do procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental ao desnivelamento da Av. Duarte Pacheco, Rua Joaquim António de Aguiar, Av. Fontes Pereira de Melo, vulgarmente designado por Túnel do Marquês.
Considerando que o fundamento decisivo que esteve na base dessa decisão, conforme decorre do próprio Despacho, foi o entendimento de que o Supremo Tribunal Administrativo, por Acórdão de 24 de Novembro de 2004, terá decidido, de forma inequívoca e peremptória que, no caso em apreço, a lei não obrigaria a realização de procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental;
Tendo presente que o referido Acórdão não permite tal conclusão, mas sim e apenas que “…a situação em análise não se subsume na previsão da alínea h), do ponto 10, do Anexo II.” (do Decreto Lei 69/2000) e portanto “… a tese da obrigatoriedade da realização da AIA se não pode alicerçar nos fundamentos invocados no Acórdão recorrido.”, ou seja, “…a obrigatoriedade de AIA, a verificar-se, não pode seguramente radicar na já referenciada alínea h), na medida em que não existe previsão normativa expressa no DL 69/2000 passível de obrigar à realização de AIA;
Considerando a natureza “aberta” do regime de AIA que resulta do nº 3 do artº 1º do DL 69/2000, segundo o qual fora das situações tipificadas nos Anexos I e II, podem ainda ser sujeitos a avaliação de impacte ambiental os projectos que, em função das suas especiais características, dimensão e natureza devam ser sujeitos a essa avaliação,
Tendo presente que as características do projecto do Túnel do Marquês, a sua dimensão e localização aconselham a realização dos respectivos estudos de Avaliação de Impacte Ambiental;
Considerando que a obra é susceptível de ter implicações com o túnel do Metropolitano de Lisboa que se desenvolve na zona do Marquês do Pombal/Fontes Pereira de Melo;
Tendo presente, para além disso, que as alterações que se têm vindo a verificar no que diz respeito às técnicas de escavação efectivamente utilizadas e as previstas no Projecto inicial, na Zona da Rotunda do Marquês, poderá aumentar os riscos de interacção com as Linhas do Metropolitano de Lisboa;
Considerando que o Túnel, pelas suas dimensões, terá de ter soluções ao nível da extracção de fumos, de combate ao incêndio, de acidentes, de ruído, de arranjos exteriores e de segurança rodoviária, que terão de ser avaliadas antes, durante e depois da sua execução;
Tendo ainda presente que tendo já sido efectuados diversos estudos que consubstanciam uma avaliação do impacte ambiental e tendo sido iniciado um processo de discussão pública sobre os mesmos – no âmbito da qual havia já diversas contribuições, que não podem de forma alguma deixar de ser tidas em consideração – não tem sentido inutilizar todas as diligencias e elementos políticos e técnicos aí produzidos – tendo até em consideração os respectivos benefícios e custos.
Considerando por fim, que é obrigação dos responsáveis dos órgãos do Estado, zelar pelo interesse público e que a suspensão da Avaliação de Impacte Ambiental e das contribuições e medidas correctivas já apresentadas e objecto de debate público – com propostas de correcção e alteração quer ao projecto do túnel quer ao próprio estudo – poderá representar gravíssimas consequências para a segurança e saúde públicas, pela não adopção das recomendações e alterações aí propugnadas.
A Assembleia da República delibera, nos termos do nº.5 do art. 166º. da Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo a adopção de medidas que garantam o procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) relativo ao projecto do Túnel do Marquês, em Lisboa.»
Aí fica a proposta de Resolução que o Partido Ecologista «Os Verdes» vai apresentar ao Governo sobre os impactes ambientais do Túnel do Marquês:
Impactes Ambientais do Túnel do Marquês
«Projecto de Resolução
Recomenda o Procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental ao Túnel do Marquês
Através do Despacho nº. 3749/2005, publicado na II Série do Diário da República de 21 de Fevereiro, foi declarada a extinção do procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental ao desnivelamento da Av. Duarte Pacheco, Rua Joaquim António de Aguiar, Av. Fontes Pereira de Melo, vulgarmente designado por Túnel do Marquês.
Considerando que o fundamento decisivo que esteve na base dessa decisão, conforme decorre do próprio Despacho, foi o entendimento de que o Supremo Tribunal Administrativo, por Acórdão de 24 de Novembro de 2004, terá decidido, de forma inequívoca e peremptória que, no caso em apreço, a lei não obrigaria a realização de procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental;
Tendo presente que o referido Acórdão não permite tal conclusão, mas sim e apenas que “…a situação em análise não se subsume na previsão da alínea h), do ponto 10, do Anexo II.” (do Decreto Lei 69/2000) e portanto “… a tese da obrigatoriedade da realização da AIA se não pode alicerçar nos fundamentos invocados no Acórdão recorrido.”, ou seja, “…a obrigatoriedade de AIA, a verificar-se, não pode seguramente radicar na já referenciada alínea h), na medida em que não existe previsão normativa expressa no DL 69/2000 passível de obrigar à realização de AIA;
Considerando a natureza “aberta” do regime de AIA que resulta do nº 3 do artº 1º do DL 69/2000, segundo o qual fora das situações tipificadas nos Anexos I e II, podem ainda ser sujeitos a avaliação de impacte ambiental os projectos que, em função das suas especiais características, dimensão e natureza devam ser sujeitos a essa avaliação,
Tendo presente que as características do projecto do Túnel do Marquês, a sua dimensão e localização aconselham a realização dos respectivos estudos de Avaliação de Impacte Ambiental;
Considerando que a obra é susceptível de ter implicações com o túnel do Metropolitano de Lisboa que se desenvolve na zona do Marquês do Pombal/Fontes Pereira de Melo;
Tendo presente, para além disso, que as alterações que se têm vindo a verificar no que diz respeito às técnicas de escavação efectivamente utilizadas e as previstas no Projecto inicial, na Zona da Rotunda do Marquês, poderá aumentar os riscos de interacção com as Linhas do Metropolitano de Lisboa;
Considerando que o Túnel, pelas suas dimensões, terá de ter soluções ao nível da extracção de fumos, de combate ao incêndio, de acidentes, de ruído, de arranjos exteriores e de segurança rodoviária, que terão de ser avaliadas antes, durante e depois da sua execução;
Tendo ainda presente que tendo já sido efectuados diversos estudos que consubstanciam uma avaliação do impacte ambiental e tendo sido iniciado um processo de discussão pública sobre os mesmos – no âmbito da qual havia já diversas contribuições, que não podem de forma alguma deixar de ser tidas em consideração – não tem sentido inutilizar todas as diligencias e elementos políticos e técnicos aí produzidos – tendo até em consideração os respectivos benefícios e custos.
Considerando por fim, que é obrigação dos responsáveis dos órgãos do Estado, zelar pelo interesse público e que a suspensão da Avaliação de Impacte Ambiental e das contribuições e medidas correctivas já apresentadas e objecto de debate público – com propostas de correcção e alteração quer ao projecto do túnel quer ao próprio estudo – poderá representar gravíssimas consequências para a segurança e saúde públicas, pela não adopção das recomendações e alterações aí propugnadas.
A Assembleia da República delibera, nos termos do nº.5 do art. 166º. da Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo a adopção de medidas que garantam o procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) relativo ao projecto do Túnel do Marquês, em Lisboa.»
Jornal das 17 horas / dia 17 de Março / 2ª edição
Sem exageros
Não vale a pena exagerar. Mas há quem afiance que os dirigentes municipais, ou alguns deles, andam nervosos. Mesmo «muito nervosos», foi a expressão ontem usada.
Conjugo isto com o que li no ‘blog’ já morto («por Lisboa») sobre sussurros por medo, medo de represálias, comentários integralmente anónimos… e fico pasmado com tais receios, que, a verificarem-se, manifestam falta de coluna vertebral e de coragem.
Maury regressa?
Teresa Maury pode regressar para assumir o pelouro das Finanças. Muitos sabedores do assunto diziam na altura que não percebia nada daquilo e nem queria ouvir falar de legislação, mas tudo bem. Há quem me avente a hipótese de que Maury pode regressar.
Como?
Simples: Moreira Marques suspende, renuncia, sei lá… E aí vem Maury.
Não está mal visto.
Menezes inefável
São amigos. Muito amigos: Menezes e Santana Lopes. Óptimo. Mas a amizade cega mesmo, pelo menos a de Menezes. Diz ele que «há muita obra em Lisboa, desde a reabilitação urbana, a equipamentos desportivos ou culturais. Uma verdadeira revolução».
O homem já não vem a Lisboa há muito tempo. Ou então é ceguinho.
Quando vier a Lisboa, peço que me telefone. Encontra-me através da redacção de qualquer jornal. Ofereço-me para lhe mostrar o Iraque em Lisboa. Levo-o ao Pavilhão Carlos Lopes que esta maioria fechou, ao São Jorge que esta maioria fechou, à Piscina Olímpica dos Olivais que esta maioria quer destruir. Levo-o a passear nas calçadas destruídas, nos jardins abandonados, levo-o a ver as fontes secas, os lagos sujos e secos. Levo-o aos bairros municipais dessa tal revolução que esta maioria tem feito. E também o levo à sede do CDS, ao Caldas, que esta maioria reabilitou – essa sim!
Mas arranjo, para o acompanhar, uma data de presidentes de junta, que sabem do que falam muito melhor do que eu.
Depois disso, venha cá falar de revolução…
Nota histórica
Limoeiro
Limoeiro, para si, é rua? É prisão? É palácio? É tudo isso?
Primeiro, o nome: chama-se «Limoeiro», talvez porque ali havia mesmo um limoeiro/árvore.
Sabemos pouco de Lisboa. Mas os 250 anos do terramoto/onda gigante/incêndio devastador estão a levar muita gente a estudar mais um pouco…
Hoje sei que a sede actual do Centro de Estudos Judiciários (CEJ), Largo de São Martinho, Rua do Limoeiro, já foi tudo aquilo, numa história diversificada que já vem desde D. Afonso III, que ali montou palácio real.
Foi cenário daquela história do assassínio do Conde Andeiro pelo Mestre de Avis.
Com D. João II, já é cadeia (os condenados a degredo aguardam ali o embarque). E era tribunal nos andares superiores.
O terramoto danificou seriamente o Paço, que foi reconstruído em três anos.
Hoje é sede do CEJ. Quer saber mais? Passe pelo site www.cej.pt e clique em «nota histórica». Está lá muito mais informação.
Não vale a pena exagerar. Mas há quem afiance que os dirigentes municipais, ou alguns deles, andam nervosos. Mesmo «muito nervosos», foi a expressão ontem usada.
Conjugo isto com o que li no ‘blog’ já morto («por Lisboa») sobre sussurros por medo, medo de represálias, comentários integralmente anónimos… e fico pasmado com tais receios, que, a verificarem-se, manifestam falta de coluna vertebral e de coragem.
Maury regressa?
Teresa Maury pode regressar para assumir o pelouro das Finanças. Muitos sabedores do assunto diziam na altura que não percebia nada daquilo e nem queria ouvir falar de legislação, mas tudo bem. Há quem me avente a hipótese de que Maury pode regressar.
Como?
Simples: Moreira Marques suspende, renuncia, sei lá… E aí vem Maury.
Não está mal visto.
Menezes inefável
São amigos. Muito amigos: Menezes e Santana Lopes. Óptimo. Mas a amizade cega mesmo, pelo menos a de Menezes. Diz ele que «há muita obra em Lisboa, desde a reabilitação urbana, a equipamentos desportivos ou culturais. Uma verdadeira revolução».
O homem já não vem a Lisboa há muito tempo. Ou então é ceguinho.
Quando vier a Lisboa, peço que me telefone. Encontra-me através da redacção de qualquer jornal. Ofereço-me para lhe mostrar o Iraque em Lisboa. Levo-o ao Pavilhão Carlos Lopes que esta maioria fechou, ao São Jorge que esta maioria fechou, à Piscina Olímpica dos Olivais que esta maioria quer destruir. Levo-o a passear nas calçadas destruídas, nos jardins abandonados, levo-o a ver as fontes secas, os lagos sujos e secos. Levo-o aos bairros municipais dessa tal revolução que esta maioria tem feito. E também o levo à sede do CDS, ao Caldas, que esta maioria reabilitou – essa sim!
Mas arranjo, para o acompanhar, uma data de presidentes de junta, que sabem do que falam muito melhor do que eu.
Depois disso, venha cá falar de revolução…
Nota histórica
Limoeiro
Limoeiro, para si, é rua? É prisão? É palácio? É tudo isso?
Primeiro, o nome: chama-se «Limoeiro», talvez porque ali havia mesmo um limoeiro/árvore.
Sabemos pouco de Lisboa. Mas os 250 anos do terramoto/onda gigante/incêndio devastador estão a levar muita gente a estudar mais um pouco…
Hoje sei que a sede actual do Centro de Estudos Judiciários (CEJ), Largo de São Martinho, Rua do Limoeiro, já foi tudo aquilo, numa história diversificada que já vem desde D. Afonso III, que ali montou palácio real.
Foi cenário daquela história do assassínio do Conde Andeiro pelo Mestre de Avis.
Com D. João II, já é cadeia (os condenados a degredo aguardam ali o embarque). E era tribunal nos andares superiores.
O terramoto danificou seriamente o Paço, que foi reconstruído em três anos.
Hoje é sede do CEJ. Quer saber mais? Passe pelo site www.cej.pt e clique em «nota histórica». Está lá muito mais informação.
quinta-feira, março 17, 2005
Jornal das 11 / 17 de Março
Experiência: uma segunda edição diária
do lisboalisboa às 17 horas
Por sugestão de alguns visitantes deste ‘blog’, aceito a desafio e vou fazer uma experiência: a começar já hoje, haverá duas edições do nosso «jornal»: uma às 11, mais desenvolvida, e outra às 17 horas, mais condensada. Por exemplo, hoje à tarde, para lá do noticiário entretanto recolhido, vai já ser inserido o Projecto de Resolução de «Os Verdes» sobre o Túnel do Marquês.
Até que a voz me doa, como diz o poema…
E, calma, malta: ninguém nunca pode tirar o lugar da Lusa!!
Nem sequer o «lisboalisboa»!
Nem por brincadeira se diga…
Santana
Pacheco Pereira diz que Santana Lopes prejudica o PSD com o seu regresso à CML. Para uma parte do PS, Santana não oferece perigo para Outubro e pode ser derrotado pelo PS sozinho. Santana, nessa tese, está morto em termos eleitorais.
Mas não está. Veja a entrada do autarca, em força e num só dia:
1. Anúncio de 10 mil casas para jovens, a reabilitar nos próximos oito a nove anos.
2. Inauguração da Moda Lisboa logo à tarde e farra até domingo.
3. Retoma do projecto LX Diversão, ali para os lados da Boavista.
4. Feira Social, no Terreiro de Paço (em parceria, é certo, com a Cais, a Misericórdia etc.).
5. Retoma da noite como modelo de promoção: o programa de habitação social é anunciado aos jovens numa discoteca.
… Isto, em 24 horas. É muito. Imagine o que vai acontecer nas próximas 210 vezes 24 horas – que é quanto falta para o 9 de Outubro.
Mário Soares lê este ‘blog’
Por estas e por outras é que aqui dissemos já várias vezes que a esquerda tem de se pôr a pau. Mas parece que lá para os lados do Rato, a coisa vai confusa. Mário Soares repete isso mesmo hoje, na «Visão»: o PS tem de fazer frente à direita e até escreve: «com o PCP e o BE ou ambos». E ele sabe do que fala. Deve ser leitor deste ‘blog’. Só pode!
Chegou o Verão!
Acabou o Inverno acabrunhado de Carmona Rodrigues, diz-se. Chegou o Verão festivo de Santana Lopes. É a festa! A vida é bela.
A propósito de Bela: parabéns de vários leitores (verdade!) à Anabela Mendes (AM) que, na edição de hoje do «Público», situa a dívida das CML a fornecedores nos 211 milhões de euros. O total da dívida é maior, muito maior. Dívidas à banca, rescaldo das negociatas do tipo Parque Mayer, Parque Expo e similares. Mas AM deixa claro, até pelos gráficos que publica, a realidade incrível: de 105 milhões há um ano, a dívida a fornecedores subiu para 211, pelo menos.
E este fim de festa, até Outubro, vai ser de «arrebenta», como está bom de ver.
Por isso é que Fontão de Carvalho não terá grande apetência para continuar no pelouro das Finanças...
Sessão da CML
Amanhã de manhã tem lugar a primeira sessão do novo ciclo. Há quem pense que vai decorrer de forma algo irregular. Não há pelouros. Não há competências da CML delegadas no seu presidente e sub-delegadas por este nos vereadores e por estes nos dirigentes municipais. Por essa razão, coloca-se a dúvida sobre se serão válidas as propostas presentes à sessão, assinadas e apresentadas por vereadores sem competências delegadas (se bem que nada na lei parece impedir um vereador de apresentar qualquer proposta). Mas:
1. Se Carmona Rodrigues apresenta propostas assinadas há dias, enquanto presidente, é possível votá-las amanhã?
2. Se há propostas apresentadas por Fontão de Carvalho ainda enquanto vereador do pelouro de Finanças, ele quererá mantê-las?
3. Se há propostas apresentadas por António Proa, que já não é vereador, elas mantêm-se?
4. Santana Lopes subscreve-as todas e pronto?
5. Os vereadores, designadamente os da oposição, aceitam este modelo?
Plano e Orçamento da CML
Como saberá, a Assembleia Municipal rejeitou o PA e o OM para 2005. Por isso, a CML está a funcionar com base em duodécimos.
Mas na última semana em que ainda detinha o pelouro de Finanças, Fontão apresentou um novo Plano e um novo Orçamento.
Pergunta-se: podem estes documentos ser votados, agora que Fontão já não detém o pelouro? Ou Fontão vai voltar ao pelouro?
Verbas para as freguesias
Continuam nos cofres da Câmara e não foram até agora transferidas para as freguesias verbas que já deviam ter sido entregues às freguesias. Trata-se de quantias relativas ao cumprimento de protocolos de descentralização. Ou seja: as juntas conservam os ajardinamentos, garantem o funcionamento de Tempos Livres, apoiam toxicodependentes etc., por acordo com a CML que se compromete a entregar-lhes as verbas acordadas.
Mas até agora isso não aconteceu, pelo menos nalguns casos. Joaquim Cunha, presidente da junta do Beato, é uma das ‘vítimas’ desta situação. Mas não é caso único, segundo sei. É que, por estas razões, há juntas já com a corda na garganta.
O problema já foi presente à Assembleia Municipal, como aqui se referiu antes, houve garantias de que tudo seria resolvido, mas não…
Pode haver estrangulamentos de tesouraria a curto prazo. «Pessoal daqueles serviços, que estão a recibo verde, pode vir a ser prejudicado, quando a almofada da junta se acabar».
António Proa critica
Na despedida, o ex-vereador António Proa (PSD), deixa um registo: tem pena de largar as tarefas que estava a desempenhar. E salienta um exemplo: «as obras do Parque da Bela Vista, uma zona que estava esquecida».
A verdade é que o Parque estava um brinquinho, quando aquela ideia do Rock in Rio o destruiu. E, de facto, como a junta de freguesia de Marvila repetidamente tem afirmado, aquilo agora parece o Iraque, passe a expressão.
O que Proa aqui vem dizer é que tem pena de não ter tido tempo para emendar esse erro de Santana Lopes e o abandono do Parque por parte de Carmona Rodrigues desde então. Aquela afirmação só pode ser lida desta forma: é uma crítica velada.
do lisboalisboa às 17 horas
Por sugestão de alguns visitantes deste ‘blog’, aceito a desafio e vou fazer uma experiência: a começar já hoje, haverá duas edições do nosso «jornal»: uma às 11, mais desenvolvida, e outra às 17 horas, mais condensada. Por exemplo, hoje à tarde, para lá do noticiário entretanto recolhido, vai já ser inserido o Projecto de Resolução de «Os Verdes» sobre o Túnel do Marquês.
Até que a voz me doa, como diz o poema…
E, calma, malta: ninguém nunca pode tirar o lugar da Lusa!!
Nem sequer o «lisboalisboa»!
Nem por brincadeira se diga…
Santana
Pacheco Pereira diz que Santana Lopes prejudica o PSD com o seu regresso à CML. Para uma parte do PS, Santana não oferece perigo para Outubro e pode ser derrotado pelo PS sozinho. Santana, nessa tese, está morto em termos eleitorais.
Mas não está. Veja a entrada do autarca, em força e num só dia:
1. Anúncio de 10 mil casas para jovens, a reabilitar nos próximos oito a nove anos.
2. Inauguração da Moda Lisboa logo à tarde e farra até domingo.
3. Retoma do projecto LX Diversão, ali para os lados da Boavista.
4. Feira Social, no Terreiro de Paço (em parceria, é certo, com a Cais, a Misericórdia etc.).
5. Retoma da noite como modelo de promoção: o programa de habitação social é anunciado aos jovens numa discoteca.
… Isto, em 24 horas. É muito. Imagine o que vai acontecer nas próximas 210 vezes 24 horas – que é quanto falta para o 9 de Outubro.
Mário Soares lê este ‘blog’
Por estas e por outras é que aqui dissemos já várias vezes que a esquerda tem de se pôr a pau. Mas parece que lá para os lados do Rato, a coisa vai confusa. Mário Soares repete isso mesmo hoje, na «Visão»: o PS tem de fazer frente à direita e até escreve: «com o PCP e o BE ou ambos». E ele sabe do que fala. Deve ser leitor deste ‘blog’. Só pode!
Chegou o Verão!
Acabou o Inverno acabrunhado de Carmona Rodrigues, diz-se. Chegou o Verão festivo de Santana Lopes. É a festa! A vida é bela.
A propósito de Bela: parabéns de vários leitores (verdade!) à Anabela Mendes (AM) que, na edição de hoje do «Público», situa a dívida das CML a fornecedores nos 211 milhões de euros. O total da dívida é maior, muito maior. Dívidas à banca, rescaldo das negociatas do tipo Parque Mayer, Parque Expo e similares. Mas AM deixa claro, até pelos gráficos que publica, a realidade incrível: de 105 milhões há um ano, a dívida a fornecedores subiu para 211, pelo menos.
E este fim de festa, até Outubro, vai ser de «arrebenta», como está bom de ver.
Por isso é que Fontão de Carvalho não terá grande apetência para continuar no pelouro das Finanças...
Sessão da CML
Amanhã de manhã tem lugar a primeira sessão do novo ciclo. Há quem pense que vai decorrer de forma algo irregular. Não há pelouros. Não há competências da CML delegadas no seu presidente e sub-delegadas por este nos vereadores e por estes nos dirigentes municipais. Por essa razão, coloca-se a dúvida sobre se serão válidas as propostas presentes à sessão, assinadas e apresentadas por vereadores sem competências delegadas (se bem que nada na lei parece impedir um vereador de apresentar qualquer proposta). Mas:
1. Se Carmona Rodrigues apresenta propostas assinadas há dias, enquanto presidente, é possível votá-las amanhã?
2. Se há propostas apresentadas por Fontão de Carvalho ainda enquanto vereador do pelouro de Finanças, ele quererá mantê-las?
3. Se há propostas apresentadas por António Proa, que já não é vereador, elas mantêm-se?
4. Santana Lopes subscreve-as todas e pronto?
5. Os vereadores, designadamente os da oposição, aceitam este modelo?
Plano e Orçamento da CML
Como saberá, a Assembleia Municipal rejeitou o PA e o OM para 2005. Por isso, a CML está a funcionar com base em duodécimos.
Mas na última semana em que ainda detinha o pelouro de Finanças, Fontão apresentou um novo Plano e um novo Orçamento.
Pergunta-se: podem estes documentos ser votados, agora que Fontão já não detém o pelouro? Ou Fontão vai voltar ao pelouro?
Verbas para as freguesias
Continuam nos cofres da Câmara e não foram até agora transferidas para as freguesias verbas que já deviam ter sido entregues às freguesias. Trata-se de quantias relativas ao cumprimento de protocolos de descentralização. Ou seja: as juntas conservam os ajardinamentos, garantem o funcionamento de Tempos Livres, apoiam toxicodependentes etc., por acordo com a CML que se compromete a entregar-lhes as verbas acordadas.
Mas até agora isso não aconteceu, pelo menos nalguns casos. Joaquim Cunha, presidente da junta do Beato, é uma das ‘vítimas’ desta situação. Mas não é caso único, segundo sei. É que, por estas razões, há juntas já com a corda na garganta.
O problema já foi presente à Assembleia Municipal, como aqui se referiu antes, houve garantias de que tudo seria resolvido, mas não…
Pode haver estrangulamentos de tesouraria a curto prazo. «Pessoal daqueles serviços, que estão a recibo verde, pode vir a ser prejudicado, quando a almofada da junta se acabar».
António Proa critica
Na despedida, o ex-vereador António Proa (PSD), deixa um registo: tem pena de largar as tarefas que estava a desempenhar. E salienta um exemplo: «as obras do Parque da Bela Vista, uma zona que estava esquecida».
A verdade é que o Parque estava um brinquinho, quando aquela ideia do Rock in Rio o destruiu. E, de facto, como a junta de freguesia de Marvila repetidamente tem afirmado, aquilo agora parece o Iraque, passe a expressão.
O que Proa aqui vem dizer é que tem pena de não ter tido tempo para emendar esse erro de Santana Lopes e o abandono do Parque por parte de Carmona Rodrigues desde então. Aquela afirmação só pode ser lida desta forma: é uma crítica velada.
quarta-feira, março 16, 2005
Jornal das 11 / 16 de Março
Notas prévias
1. Sócrates prevê quatro meses de tréguas dentro do PS. É um exagerado. Cá para mim, as guerras já começaram e ele bem o sabe. Nota-se de fora, e sem binóculos. E não é só por causa das autárquicas. Mas esse vai ser um dos pratos fortes, que já começou a ser servido neste banquete, neste festim que se aproxima (ver adiante). É uma «pecha» do PS que sempre foi assim, e da qual sempre me dei conta, a começar lá pela minha casa paterna de antanho…
2. Bem-vindas, Secretarias. Lisboa vai ser anfitriã de uns turistas muito especiais. As Secretarias de Estado que Santana Lopes tinha «deslocalizado» estão de regresso. Não chegaram a aquecer o lugar, lá por andaram, em seis cidades espalhadas pelo país. Agora retornam à cidade-mãe. Bem-vindas.
Câmara
Ainda esta semana vai ter lugar uma sessão da CML. A primeira já com Pedro Santana Lopes (PSL) a presidir. É na sexta-feira, às 10.30. Vai voltar a pergunta de sempre: é ou não é aberta à comunicação social? Vá, comecem a telefonar e a perguntar (-me?). 'Malandragem', como diz o outro...
PSL quer prestar contas
É ou não é louvável que um candidato eleito queira prestar contas? De todas as expressões do primeiro comunicado do (de) novo presidente da CML, respigo uma: aquela em que Santana Lopes diz que quer «cumprir o programa sufragado em 2001», ou seja: afinal quer mesmo prestar contas aos lisboetas em relação ao que prometeu há três anos e tal na campanha eleitoral.
Candidaturas a Lisboa
Consta que, da parte do PS, os cabeças-de-lista mais prováveis são, por esta ordem, Ferro Rodrigues ou Manuel Maria Carrilho. Mas há quem me afiance que é cedo para ser tão assertivo. Que essas duas candidaturas se anulam uma à outra e que pode estar a surgir uma terceira via, já em negociação ao mais alto nível. E não é ao nível João Soares, segundo julgo saber.
Registo
Saúdo o jornal «A Capital» pelo reaparecimento da editoria de «Local». Com as autárquicas na calha, era a altura certa para esta experiência. Bom trabalho e um abraço às editoras, Ana Gomes Oliveira e Ana Kotowicz.
Actividades juvenis em São João
A junta de freguesia de São João comunica que há ali actividades da Semana da Juventude até 2 de Abril e que a 9 desse mês vai fazer entrega de prémios na sede da junta. A 19 de Março há um peddy-paper. A 20, um torneio de ténis de mesa. Outros exemplos: jogos florais até 21, semana radical até 24. Informe-se pelo mail juntafreguesiasjoao@mail.telepac.pt
Um ‘blog’ a menos
Há malta nos ‘blogs’ que se farta depressa. O «porlisboa», nascido há meia dúzia de dias, já se despediu: «Confirmado! Está confirmado o regresso de Pedro Santana Lopes à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, pelo que este blog deixou de ter razão de existir. Queremos deixar um agradecimento àqueles que ao longo de 2 semanas colaboraram e participaram, discutiram e debateram os méritos de tal regresso.Obrigado! Por Lisboa, sempre.»
Lembram-se do «sr. Silva»?
Ontem de manhã, no Rádio Clube Português, o comentador Nuno Rogeiro, que se dava como tão amigo do dr. Santana Lopes («o meu amigo dr. Santana Lopes», e tal), quando perguntado sobre a sua opinião acerca do regresso de Santana à CML, surpreendeu-me pelas palavras usadas: «a pessoa em causa» para aqui, «a pessoa em causa» para ali e tal… Parecia Alberto João Jardim há uns tempos a referir-se a Cavaco Silva como «o sr. Silva».
Pelouro das Finanças da CML
Se de facto Fontão de Carvalho não aceitou o pelouro das Finanças ao serviço de Santana como o tinha aceitado ao serviço de Carmona, colocam-se de imediato duas questões:
1. Em que situação fica?
2. Quem fica com o pelouro?
Há comentários entre jornalistas acerca desta saída airosa tais como: «Um bom pretexto para saltar de um barco que se está a afundar a olhos vistos».
Mas Fontão ainda pode reconsiderar – tenho cá uns botões que andam a conversar comigo neste sentido.
É que as envolventes destas coisas são muito, diversificadas e, às vezes, nada inesperadas e até muito óbvias.
Mas pode ser que sim, que Fontão rejeite o pelouro. Sei lá.
Em todo o caso, que raio de momento para largar o pelouro, agora que tinha pronto um orçamento para levar à sessão da CML e depois à Assembleia…
Reformados colaboram no ‘blog’
Há centenas de milhares de reformados em Lisboa, como há dias aqui referi. A esse propósito, respigo algumas linhas de um texto do MURPI, o Movimento dos Reformados, apresentado ao governo anterior, aquando da elaboração do Orçamento de Estado: «Dos 2,6 milhões de reformados, pensionistas e idosos, receberão este formidável «aumento» de 50 cêntimos/dia cerca de 400 mil pessoas, que também são de carne e osso, e que têm despesas muitas vezes maiores de medicamentos e de assistência médica, hospitalar, etc..
As nossas reivindicações
são mais do que justas!
Perante estes cenários, que legitimidade tem o Poder para recusar aos Reformados aumentos dignos?
Eis pois a nossa reivindicação, mais do que equilibrada: 27 euros para o regime não contributivo e contributivo até 15 anos; 22 euros: regimes contributivos até 30 anos; 17 euros: regimes contributivos de mais de 30 anos.
Estamos fartos de passar mal. Parem com esta política! Exigimos aumentos dignos.»
Estas reclamações, então levadas ao Governo de Santana Lopes, devem constituir um aviso ao governo Sócrates, sugiro eu. Maria Vilar, dirigente nacional do MURPI, garantiu-me já hoje que, na Assembleia Geral do dia 19, vai ser apresentada uma Carta Reivindicativa para ser entregue na Assembleia da república aquando da discussão do Programa de Governo. Esperemos para ver se se há ajustamentos.
1. Sócrates prevê quatro meses de tréguas dentro do PS. É um exagerado. Cá para mim, as guerras já começaram e ele bem o sabe. Nota-se de fora, e sem binóculos. E não é só por causa das autárquicas. Mas esse vai ser um dos pratos fortes, que já começou a ser servido neste banquete, neste festim que se aproxima (ver adiante). É uma «pecha» do PS que sempre foi assim, e da qual sempre me dei conta, a começar lá pela minha casa paterna de antanho…
2. Bem-vindas, Secretarias. Lisboa vai ser anfitriã de uns turistas muito especiais. As Secretarias de Estado que Santana Lopes tinha «deslocalizado» estão de regresso. Não chegaram a aquecer o lugar, lá por andaram, em seis cidades espalhadas pelo país. Agora retornam à cidade-mãe. Bem-vindas.
Câmara
Ainda esta semana vai ter lugar uma sessão da CML. A primeira já com Pedro Santana Lopes (PSL) a presidir. É na sexta-feira, às 10.30. Vai voltar a pergunta de sempre: é ou não é aberta à comunicação social? Vá, comecem a telefonar e a perguntar (-me?). 'Malandragem', como diz o outro...
PSL quer prestar contas
É ou não é louvável que um candidato eleito queira prestar contas? De todas as expressões do primeiro comunicado do (de) novo presidente da CML, respigo uma: aquela em que Santana Lopes diz que quer «cumprir o programa sufragado em 2001», ou seja: afinal quer mesmo prestar contas aos lisboetas em relação ao que prometeu há três anos e tal na campanha eleitoral.
Candidaturas a Lisboa
Consta que, da parte do PS, os cabeças-de-lista mais prováveis são, por esta ordem, Ferro Rodrigues ou Manuel Maria Carrilho. Mas há quem me afiance que é cedo para ser tão assertivo. Que essas duas candidaturas se anulam uma à outra e que pode estar a surgir uma terceira via, já em negociação ao mais alto nível. E não é ao nível João Soares, segundo julgo saber.
Registo
Saúdo o jornal «A Capital» pelo reaparecimento da editoria de «Local». Com as autárquicas na calha, era a altura certa para esta experiência. Bom trabalho e um abraço às editoras, Ana Gomes Oliveira e Ana Kotowicz.
Actividades juvenis em São João
A junta de freguesia de São João comunica que há ali actividades da Semana da Juventude até 2 de Abril e que a 9 desse mês vai fazer entrega de prémios na sede da junta. A 19 de Março há um peddy-paper. A 20, um torneio de ténis de mesa. Outros exemplos: jogos florais até 21, semana radical até 24. Informe-se pelo mail juntafreguesiasjoao@mail.telepac.pt
Um ‘blog’ a menos
Há malta nos ‘blogs’ que se farta depressa. O «porlisboa», nascido há meia dúzia de dias, já se despediu: «Confirmado! Está confirmado o regresso de Pedro Santana Lopes à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, pelo que este blog deixou de ter razão de existir. Queremos deixar um agradecimento àqueles que ao longo de 2 semanas colaboraram e participaram, discutiram e debateram os méritos de tal regresso.Obrigado! Por Lisboa, sempre.»
Lembram-se do «sr. Silva»?
Ontem de manhã, no Rádio Clube Português, o comentador Nuno Rogeiro, que se dava como tão amigo do dr. Santana Lopes («o meu amigo dr. Santana Lopes», e tal), quando perguntado sobre a sua opinião acerca do regresso de Santana à CML, surpreendeu-me pelas palavras usadas: «a pessoa em causa» para aqui, «a pessoa em causa» para ali e tal… Parecia Alberto João Jardim há uns tempos a referir-se a Cavaco Silva como «o sr. Silva».
Pelouro das Finanças da CML
Se de facto Fontão de Carvalho não aceitou o pelouro das Finanças ao serviço de Santana como o tinha aceitado ao serviço de Carmona, colocam-se de imediato duas questões:
1. Em que situação fica?
2. Quem fica com o pelouro?
Há comentários entre jornalistas acerca desta saída airosa tais como: «Um bom pretexto para saltar de um barco que se está a afundar a olhos vistos».
Mas Fontão ainda pode reconsiderar – tenho cá uns botões que andam a conversar comigo neste sentido.
É que as envolventes destas coisas são muito, diversificadas e, às vezes, nada inesperadas e até muito óbvias.
Mas pode ser que sim, que Fontão rejeite o pelouro. Sei lá.
Em todo o caso, que raio de momento para largar o pelouro, agora que tinha pronto um orçamento para levar à sessão da CML e depois à Assembleia…
Reformados colaboram no ‘blog’
Há centenas de milhares de reformados em Lisboa, como há dias aqui referi. A esse propósito, respigo algumas linhas de um texto do MURPI, o Movimento dos Reformados, apresentado ao governo anterior, aquando da elaboração do Orçamento de Estado: «Dos 2,6 milhões de reformados, pensionistas e idosos, receberão este formidável «aumento» de 50 cêntimos/dia cerca de 400 mil pessoas, que também são de carne e osso, e que têm despesas muitas vezes maiores de medicamentos e de assistência médica, hospitalar, etc..
As nossas reivindicações
são mais do que justas!
Perante estes cenários, que legitimidade tem o Poder para recusar aos Reformados aumentos dignos?
Eis pois a nossa reivindicação, mais do que equilibrada: 27 euros para o regime não contributivo e contributivo até 15 anos; 22 euros: regimes contributivos até 30 anos; 17 euros: regimes contributivos de mais de 30 anos.
Estamos fartos de passar mal. Parem com esta política! Exigimos aumentos dignos.»
Estas reclamações, então levadas ao Governo de Santana Lopes, devem constituir um aviso ao governo Sócrates, sugiro eu. Maria Vilar, dirigente nacional do MURPI, garantiu-me já hoje que, na Assembleia Geral do dia 19, vai ser apresentada uma Carta Reivindicativa para ser entregue na Assembleia da república aquando da discussão do Programa de Governo. Esperemos para ver se se há ajustamentos.
Cinema Europa: demolição, sim ou não?
Junta de Freguesia do Santo Condestável
defende o imóvel
O Cinema Europa fica em Campo de Ourique, freguesia do Santo Condestável. Logo que soube da venda do imóvel, em 11 de Fevereiro, o presidente da JF, Lourenço Bernardino, enviou uma carta à CML a pedir esclarecimentos e a manifestar receio de que «se aparever um projecto melhor, a CML não se oporia à demolição».
«É ou não legítimo concluir que para a CML não está em causa a demolição, mas o projecto que vier a ser apresentado?»
Perguntei agora mesmo ao referido autarca se a CML já lhe tinha respondido.
Resposta imediata: «Nada! Zero! Desde 11 de Fevereiro!»
Querem mais claro? Ponham-lhe água, como diz o povo da minha terra...
defende o imóvel
O Cinema Europa fica em Campo de Ourique, freguesia do Santo Condestável. Logo que soube da venda do imóvel, em 11 de Fevereiro, o presidente da JF, Lourenço Bernardino, enviou uma carta à CML a pedir esclarecimentos e a manifestar receio de que «se aparever um projecto melhor, a CML não se oporia à demolição».
«É ou não legítimo concluir que para a CML não está em causa a demolição, mas o projecto que vier a ser apresentado?»
Perguntei agora mesmo ao referido autarca se a CML já lhe tinha respondido.
Resposta imediata: «Nada! Zero! Desde 11 de Fevereiro!»
Querem mais claro? Ponham-lhe água, como diz o povo da minha terra...
terça-feira, março 15, 2005
Jornal das 11 / Dia 15 de Março
Imbróglio desfeito
Ontem, durante todo o dia, reinou na Praça do Município uma verdadeira «parafernália» de câmaras e fotógrafos. Voltou-se aos bons velhos tempos. Afinal, Santana Lopes era já presidente da CML, tudo estava em ordem.
Ainda não se sabe o resto: Carmona? Pedro Pinto? Moreira Marques? É Proa que sai?
Mas sabe-se o essencial: a Casa de Monsanto fica onde está.
Isto já enjoa.
Assinaturas pelo Cinema Europa
Para evitar a demolição, a Comissão SOS Cinema Europa está a recolher assinaturas em abaixo-assinado, com o apoio da junta de freguesia de Campo de Ourique. E este grupo de entusiastas cívicos está de parabéns. Na tarde de sábado esgotaram-se os impressos. Novas folhas estão já prontas e vão estar disponíveis no bairro em livrarias, cafés e similares. Estes moradores dão uma lição de mobilização já rara.
Entretanto, a junta de freguesia esclarece um equívoco posto a circular: é que no final do mandato passado estava preparado um protocolo com a CML para dinamização deste espaço, mas esse protocolo não foi implementado pela nova maioria, esta que hoje ocupa a Praça do Município.
Mais: a família Pimentel, proprietária à altura, só vendeu o imóvel recentemente. «Nós só o soubemos já neste mês de Fevereiro último». Fevereiro de 2005. Mês forte nestas andanças dos loteamentos, acordos, protocolos etc. etc. – como neste ‘blog’ já várias vezes referimos e como ainda hoje noutro local se refere. Mas voltando à venda e aos equívocos: portanto, o direito de preferência da CML devia ter sido exercido, sim, mas por esta câmara, agora, aquando da venda, não pela anterior.
Perguntados sobre quem é o novo proprietário, que deseja demolir o cinema e construir ali apartamentos de luxo, segundo consta, tanto os dinamizadores do abaixo-assinado como a junta dizem ignorar a identificação. Mas sabem que os lojistas já estão a pagar as rendas aos novos proprietários, depositando-as em conta da Caixa Geral de Depósitos.
Nota
Provavelmente, ainda hoje se voltará ao Cinema Europa neste ‘blog’, para clarificar a posição da junta de freguesia de Campo de Ourique perante a CML.
Registo
Bom registo, aquele do «Correio da Manhã»: fontes e lagos da Avenida da Liberdade secos. De facto, a água não passa por ali há muito.
Mas não é só nos equipamentos desta artéria que o problema se nota. Noutros pontos, o problema repete-se. Aliás, não é só com as fontes e lagos. A CML, infelizmente, tem deixado degradar quase tudo o que é espaço público na Cidade. São os candeeiros, as calçadas, os passeios, as covas das árvores, o asfalto doa pavimentos, buracos durante meses sem reparação um pouco por toda a Cidade.
É mau.
Cheira mal
Agora está pior do que nunca: quem passa na Avenida de Ceuta não pode deixar de notar o mau cheiro, nauseabundo, que aquela ETAR de Alcântara destila…
Alguém pode fazer alguma coisa pelos moradores e pelos passantes?
É sabido que nem a SIMTEJO nem a CML se têm entendido em matérias deste ramo. Mas também ninguém parece preocupar-se ou sequer prestar contas do que se passa.
Nem sequer em matéria de informação à opinião pública. Parece que a ETAR é enjeitada: não tem quem cuide dela…
Sede da PIDE vira condomínio de luxo
A Rua António Maria Cardoso tem má fama. Tinha. Era ali a sede da PIDE. À porta, logo a seguir à Revolução, morreram várias pessoas às balas assassinas dos esbirros em fim de festa. Na altura, uma aluna minha foi ferida à bala. Por exemplo. Milhares foram ali torturados. É ou devia ser um símbolo. Mas não. A Casa de Bragança vendeu o imóvel a Vasco Pereira Coutinho. Vasco. Que vai ali fazer um condominiozito…A CML aprovou o projecto no passado mês de Fevereiro. Fevereiro. Um mês chorudo.
ModaLisboa
Este evento já vem de trás. Foram sempre fortes os apoios da CML. Mas hoje é um abuso. De 130 mil euros em 2002 e anteriores edições, passou-se agora para os 900 mil euros, ou seja: algo como 180 mil contos.
Viva a moda! Vivam os amigos!
Jogos de Lisboa
A actual maioria cortou com os Jogos de Lisboa logo que tomou posse. Era muito povo envolvido. Não era o estilo. Ponto final.
Agora que se aproximam as eleições, finalmente vão ser retomados, embora com outro figurino, os Jogos que entusiasmaram Lisboa durante anos.
Vão chamar-lhes Jogos Lx.
Isto não vai ter alma, mas vai fazer fogacho. Que é o que interessa. Outubro é já ali ao virar da esquina.
Equipamentos fatídicos
A maioria de direita na CML tem uma «malapata» com alguns equipamentos da Cidade. Uma série de instalações e imóveis famosos estão «na berra»:
1. O Cinema Europa, em Campo de Ourique, já referido no ‘blog’ por várias vezes. Cidadãos em sua defesa recolhem assinaturas às centenas.
2. O Convento dos Inglesinhos, ao Bairro Alto, onde a Amorim Imobiliária quer construir apartamentos de luxo. Processo em tribunal, cidadãos mobilizados, instituições empenhadas…
3. Pavilhão Carlos Lopes: fechado e sem destino assegurado.
4. Piscina Olímpica dos Olivais: CML quer demolir, cidadãos opõem-se.
5. Cinema São Jorge: fechado pela CML, e sem futuro definido.
6. Antiga sede da PIDE: CML acaba de autorizar demolição para construir apartamentos de luxo (ver outras notas neste ‘blog’).
É má sina, a destes imóveis… Mas também a da maioria PSD-PP na CML: os lisboetas não lhe dão tréguas.
Colaboração
Um visitante habitual do ‘blog’ enviou a seguinte colaboração:
Lisboa degrada-se há três anos
A meu ver, a direita ganhou as eleições para a CML em 2001 pela conjugação de três factores: o deficiente trabalho político da coligação e a sub-estimação dos nossos parceiros relativamente ao adversário, arrancando tarde para a campanha; a fraude eleitoral, como provou a Procuradoria da República que analisou a votação e concluiu que apenas em cinco freguesias a direita anulou mais de 800 votos válidos na coligação; o programa populista de Santana Lopes que tudo prometeu à população da cidade: um polícia em cada esquina, uma piscina em cada bairro, habitação para os jovens, melhorar o trânsito e o estacionamento, revitalizar a Baixa, etc..
Passados que estão mais de três anos de mandato, a vida na cidade degradou-se e quem sofre é o povo que aqui vive ou trabalha. A maioria governa a meio tempo pois todos os vereadores acumulam com administração de empresas.
A direita esqueceu-se das promessas, travou obras em curso, esbanjou o dinheiro público, transformou a cidade num enorme painel de propaganda com os custos de centenas de milhões de euros. A central de informação do Governo há dias chumbada é a cópia da que existe na CML há três anos.
As poucas obras inauguradas, quase todas foram lançadas ainda pela coligação anterior.
O que marca a gestão da direita é a propaganda e as trapalhadas em que se envolveu, seja na Feira Popular, no Parque Mayer cuja reabilitação continua a marcar passo, ou o buracão em que se transformou o chamado Túnel do Marquês, uma obra desnecessária e prejudicial para a cidade e predadora dos fundos públicos.
Mas se estas são as questões mais faladas, a matriz essencial da política da direita em Lisboa é a especulação imobiliária. Lisboa regressou, nas questões do urbanismo, aos tempos negros de Krus Abecasis.
Hoje, quem decide o que se constrói são os urbanizadores e não a Câmara e a Assembleia Municipal. Os loteamentos substituíram os planos de urbanização e de pormenor.
E tudo isto acontece, infelizmente, com o beneplácito do PS. Porque o PS colocou acima dos interesses da cidade os interesses do capital financeiro, votando com a direita, põe exemplo, o célebre acordo do Parque Mayer ou, antes disso, as alterações ao PDM em regime simplificado. É utilizando estas alterações que a especulação imobiliária se desenvolve em toda a zona ribeirinha, desde Alcântara até à zona da Expo.
Ontem, durante todo o dia, reinou na Praça do Município uma verdadeira «parafernália» de câmaras e fotógrafos. Voltou-se aos bons velhos tempos. Afinal, Santana Lopes era já presidente da CML, tudo estava em ordem.
Ainda não se sabe o resto: Carmona? Pedro Pinto? Moreira Marques? É Proa que sai?
Mas sabe-se o essencial: a Casa de Monsanto fica onde está.
Isto já enjoa.
Assinaturas pelo Cinema Europa
Para evitar a demolição, a Comissão SOS Cinema Europa está a recolher assinaturas em abaixo-assinado, com o apoio da junta de freguesia de Campo de Ourique. E este grupo de entusiastas cívicos está de parabéns. Na tarde de sábado esgotaram-se os impressos. Novas folhas estão já prontas e vão estar disponíveis no bairro em livrarias, cafés e similares. Estes moradores dão uma lição de mobilização já rara.
Entretanto, a junta de freguesia esclarece um equívoco posto a circular: é que no final do mandato passado estava preparado um protocolo com a CML para dinamização deste espaço, mas esse protocolo não foi implementado pela nova maioria, esta que hoje ocupa a Praça do Município.
Mais: a família Pimentel, proprietária à altura, só vendeu o imóvel recentemente. «Nós só o soubemos já neste mês de Fevereiro último». Fevereiro de 2005. Mês forte nestas andanças dos loteamentos, acordos, protocolos etc. etc. – como neste ‘blog’ já várias vezes referimos e como ainda hoje noutro local se refere. Mas voltando à venda e aos equívocos: portanto, o direito de preferência da CML devia ter sido exercido, sim, mas por esta câmara, agora, aquando da venda, não pela anterior.
Perguntados sobre quem é o novo proprietário, que deseja demolir o cinema e construir ali apartamentos de luxo, segundo consta, tanto os dinamizadores do abaixo-assinado como a junta dizem ignorar a identificação. Mas sabem que os lojistas já estão a pagar as rendas aos novos proprietários, depositando-as em conta da Caixa Geral de Depósitos.
Nota
Provavelmente, ainda hoje se voltará ao Cinema Europa neste ‘blog’, para clarificar a posição da junta de freguesia de Campo de Ourique perante a CML.
Registo
Bom registo, aquele do «Correio da Manhã»: fontes e lagos da Avenida da Liberdade secos. De facto, a água não passa por ali há muito.
Mas não é só nos equipamentos desta artéria que o problema se nota. Noutros pontos, o problema repete-se. Aliás, não é só com as fontes e lagos. A CML, infelizmente, tem deixado degradar quase tudo o que é espaço público na Cidade. São os candeeiros, as calçadas, os passeios, as covas das árvores, o asfalto doa pavimentos, buracos durante meses sem reparação um pouco por toda a Cidade.
É mau.
Cheira mal
Agora está pior do que nunca: quem passa na Avenida de Ceuta não pode deixar de notar o mau cheiro, nauseabundo, que aquela ETAR de Alcântara destila…
Alguém pode fazer alguma coisa pelos moradores e pelos passantes?
É sabido que nem a SIMTEJO nem a CML se têm entendido em matérias deste ramo. Mas também ninguém parece preocupar-se ou sequer prestar contas do que se passa.
Nem sequer em matéria de informação à opinião pública. Parece que a ETAR é enjeitada: não tem quem cuide dela…
Sede da PIDE vira condomínio de luxo
A Rua António Maria Cardoso tem má fama. Tinha. Era ali a sede da PIDE. À porta, logo a seguir à Revolução, morreram várias pessoas às balas assassinas dos esbirros em fim de festa. Na altura, uma aluna minha foi ferida à bala. Por exemplo. Milhares foram ali torturados. É ou devia ser um símbolo. Mas não. A Casa de Bragança vendeu o imóvel a Vasco Pereira Coutinho. Vasco. Que vai ali fazer um condominiozito…A CML aprovou o projecto no passado mês de Fevereiro. Fevereiro. Um mês chorudo.
ModaLisboa
Este evento já vem de trás. Foram sempre fortes os apoios da CML. Mas hoje é um abuso. De 130 mil euros em 2002 e anteriores edições, passou-se agora para os 900 mil euros, ou seja: algo como 180 mil contos.
Viva a moda! Vivam os amigos!
Jogos de Lisboa
A actual maioria cortou com os Jogos de Lisboa logo que tomou posse. Era muito povo envolvido. Não era o estilo. Ponto final.
Agora que se aproximam as eleições, finalmente vão ser retomados, embora com outro figurino, os Jogos que entusiasmaram Lisboa durante anos.
Vão chamar-lhes Jogos Lx.
Isto não vai ter alma, mas vai fazer fogacho. Que é o que interessa. Outubro é já ali ao virar da esquina.
Equipamentos fatídicos
A maioria de direita na CML tem uma «malapata» com alguns equipamentos da Cidade. Uma série de instalações e imóveis famosos estão «na berra»:
1. O Cinema Europa, em Campo de Ourique, já referido no ‘blog’ por várias vezes. Cidadãos em sua defesa recolhem assinaturas às centenas.
2. O Convento dos Inglesinhos, ao Bairro Alto, onde a Amorim Imobiliária quer construir apartamentos de luxo. Processo em tribunal, cidadãos mobilizados, instituições empenhadas…
3. Pavilhão Carlos Lopes: fechado e sem destino assegurado.
4. Piscina Olímpica dos Olivais: CML quer demolir, cidadãos opõem-se.
5. Cinema São Jorge: fechado pela CML, e sem futuro definido.
6. Antiga sede da PIDE: CML acaba de autorizar demolição para construir apartamentos de luxo (ver outras notas neste ‘blog’).
É má sina, a destes imóveis… Mas também a da maioria PSD-PP na CML: os lisboetas não lhe dão tréguas.
Colaboração
Um visitante habitual do ‘blog’ enviou a seguinte colaboração:
Lisboa degrada-se há três anos
A meu ver, a direita ganhou as eleições para a CML em 2001 pela conjugação de três factores: o deficiente trabalho político da coligação e a sub-estimação dos nossos parceiros relativamente ao adversário, arrancando tarde para a campanha; a fraude eleitoral, como provou a Procuradoria da República que analisou a votação e concluiu que apenas em cinco freguesias a direita anulou mais de 800 votos válidos na coligação; o programa populista de Santana Lopes que tudo prometeu à população da cidade: um polícia em cada esquina, uma piscina em cada bairro, habitação para os jovens, melhorar o trânsito e o estacionamento, revitalizar a Baixa, etc..
Passados que estão mais de três anos de mandato, a vida na cidade degradou-se e quem sofre é o povo que aqui vive ou trabalha. A maioria governa a meio tempo pois todos os vereadores acumulam com administração de empresas.
A direita esqueceu-se das promessas, travou obras em curso, esbanjou o dinheiro público, transformou a cidade num enorme painel de propaganda com os custos de centenas de milhões de euros. A central de informação do Governo há dias chumbada é a cópia da que existe na CML há três anos.
As poucas obras inauguradas, quase todas foram lançadas ainda pela coligação anterior.
O que marca a gestão da direita é a propaganda e as trapalhadas em que se envolveu, seja na Feira Popular, no Parque Mayer cuja reabilitação continua a marcar passo, ou o buracão em que se transformou o chamado Túnel do Marquês, uma obra desnecessária e prejudicial para a cidade e predadora dos fundos públicos.
Mas se estas são as questões mais faladas, a matriz essencial da política da direita em Lisboa é a especulação imobiliária. Lisboa regressou, nas questões do urbanismo, aos tempos negros de Krus Abecasis.
Hoje, quem decide o que se constrói são os urbanizadores e não a Câmara e a Assembleia Municipal. Os loteamentos substituíram os planos de urbanização e de pormenor.
E tudo isto acontece, infelizmente, com o beneplácito do PS. Porque o PS colocou acima dos interesses da cidade os interesses do capital financeiro, votando com a direita, põe exemplo, o célebre acordo do Parque Mayer ou, antes disso, as alterações ao PDM em regime simplificado. É utilizando estas alterações que a especulação imobiliária se desenvolve em toda a zona ribeirinha, desde Alcântara até à zona da Expo.
segunda-feira, março 14, 2005
Jornal das 11 / Dia 14 de Março
Aqui ao lado, na coluna da direita, dispõe dos «posts» inseridos nas semanas anteriores. «Clique» duas vezes na referência e leia!
Nota prévia
Parece que Sócrates comprou várias guerras logo no primeiro dia. E que o estado de graça já era. Mesmo antes da tomada de posse já tinha três chatices: o aludido anti-americanismo de Freitas; o aumento de impostos; e, logo depois, as mulheres socialistas.
O governo Sócrates tomou posse às 11 e meia de sábado. Cá fora, já tinha uma delegação da Associação Académica de Coimbra para expor uma série de reclamações. Nessa tarde, a Associação de Inquilinos Lisbonenses, com mais de uma dezena de entidades ligadas aos problemas do inquilinato (veja mais abaixo) organizava um fórum-debate em Lisboa para assentar numa série de pontos a colocar em cima da mesa quando, num dos próximos cem dias, o governo quiser alterar o Leio das Rendas. Na mesma tarde, a Associação Nacional de Farmácias, que não gostou do anúncio de Sócrates de que vai pôr fim ao monopólio das farmácias numa faixa restrita de venda de medicamentos, divulgou logo um violento e mal-educado comunicado sobre o assunto (a Ordem dos Médicos e a Deco apoiaram Sócrates).
Nessa manhã, a sondagem do Expresso (e na noite anterior na SIC), da responsabilidade da Eurosondagem, dava ao PS uma baixa de votação para 39%.
Já antes da tomada de posse rebentara a primeira guerra dentro do PS: havia poucas mulheres no governo. Resposta de Sócrates: não as há com protagonismo político e técnico… Foi uma bronca.
Bolas! Nunca o estado de graça de um governo foi tão curto…
Isto tem a ver com Lisboa, sim!
Mas em que é que o estado de graça do governo e tal afecta Lisboa, a CML, as autarquias? Pois se este ‘blog’ é só dedicado a Lisboa, o que é que isto tem a ver?
Pois bem: tudo o que atrás escrevi tem interesse para Lisboa em matéria de candidaturas. Relaciona-se directamente com o que aqui se escreveu há dias a propósito de no PS estar a ganhar terreno a ideia de que uma sondagem indicaria que há condições para o PS ganhar sozinho a câmara de Lisboa.
Estão a ver o erro? Não se vê logo que ainda é tão cedo para estas conclusões…
Autárquicas: a data
Está decidido: 9 de Outubro será a data de realização das eleições autárquicas. Sócrates podia estabelecer uma das datas entre 20 e poucos de Setembro e 9 de Outubro. Escolheu a última. E acrescentou-lhe outra consulta eleitoral: o referendo do chamado Tratado Constitucional Europeu – matéria esta que ainda vai dar muita discussão (a simultaneidade das duas consultas eleitorais).
Nota prévia
Parece que Sócrates comprou várias guerras logo no primeiro dia. E que o estado de graça já era. Mesmo antes da tomada de posse já tinha três chatices: o aludido anti-americanismo de Freitas; o aumento de impostos; e, logo depois, as mulheres socialistas.
O governo Sócrates tomou posse às 11 e meia de sábado. Cá fora, já tinha uma delegação da Associação Académica de Coimbra para expor uma série de reclamações. Nessa tarde, a Associação de Inquilinos Lisbonenses, com mais de uma dezena de entidades ligadas aos problemas do inquilinato (veja mais abaixo) organizava um fórum-debate em Lisboa para assentar numa série de pontos a colocar em cima da mesa quando, num dos próximos cem dias, o governo quiser alterar o Leio das Rendas. Na mesma tarde, a Associação Nacional de Farmácias, que não gostou do anúncio de Sócrates de que vai pôr fim ao monopólio das farmácias numa faixa restrita de venda de medicamentos, divulgou logo um violento e mal-educado comunicado sobre o assunto (a Ordem dos Médicos e a Deco apoiaram Sócrates).
Nessa manhã, a sondagem do Expresso (e na noite anterior na SIC), da responsabilidade da Eurosondagem, dava ao PS uma baixa de votação para 39%.
Já antes da tomada de posse rebentara a primeira guerra dentro do PS: havia poucas mulheres no governo. Resposta de Sócrates: não as há com protagonismo político e técnico… Foi uma bronca.
Bolas! Nunca o estado de graça de um governo foi tão curto…
Isto tem a ver com Lisboa, sim!
Mas em que é que o estado de graça do governo e tal afecta Lisboa, a CML, as autarquias? Pois se este ‘blog’ é só dedicado a Lisboa, o que é que isto tem a ver?
Pois bem: tudo o que atrás escrevi tem interesse para Lisboa em matéria de candidaturas. Relaciona-se directamente com o que aqui se escreveu há dias a propósito de no PS estar a ganhar terreno a ideia de que uma sondagem indicaria que há condições para o PS ganhar sozinho a câmara de Lisboa.
Estão a ver o erro? Não se vê logo que ainda é tão cedo para estas conclusões…
Autárquicas: a data
Está decidido: 9 de Outubro será a data de realização das eleições autárquicas. Sócrates podia estabelecer uma das datas entre 20 e poucos de Setembro e 9 de Outubro. Escolheu a última. E acrescentou-lhe outra consulta eleitoral: o referendo do chamado Tratado Constitucional Europeu – matéria esta que ainda vai dar muita discussão (a simultaneidade das duas consultas eleitorais).
Jornal das 11 / Dia 14 de Março
Portas
Paulo Portas terá tido uma longa conversa com Santana Lopes enunciando argumento sobre argumento para que Santana regressasse à CML. E tê-lo-á convencido definitivamente. Quem conta isto é Filipe Santos Costa (FSC), no «DN» de domingo. Mas o que aparentemente FSC não sabe ou esqueceu é que o próprio Portas é vereador eleito em Lisboa. Aliás, esse cargo originário do CDS-PP é dele. Por que razão não regressa o próprio? Por que razão FSC não perguntou isso à tal fonte tão próxima de Santana – um habitual interlocutor do agora novamente presidente da CML? Portas revela-se assim um verdadeiro amigo… da onça… de PSL.
Carmona
Hoje, está um frenesim à porta da CML, à espera. Ontem à noite, Carmona ainda dizia que não sabia se era presidente da CML. Se não era, há aqui uma questão séria a partir deste momento: que é feito das competências que a lei concentra na CML e esta pode delegar no seu presidente, parte das quais este pode sub-delegar nos seus vereadores? O «Público» já levantou o problema.
Uma coisa é certa: a sesão da CML que estava marcada para 4ª-feira, depois de amanhã, já foi desconvocada...
Em todo o caso, dada a circunstância desagradável de não saber ou ter de dizer que não sabe, Carmona vinga-se bem.
Uma bofetada com luva. É o mínimo que se pode dizer do facto de Carmona Rodrigues, na presente conjuntura, vir manifestar o seu apoio a Marques Mendes na corrida ao cargo de presidente do PSD. Carmona nem sequer é militante. Mas está na calha para a corrida aos Paços do Concelho lá para 9 de Outubro. E sendo previsível que Mendes ganhe, é melhor estar desde já nas boas graças, pelo sim, pelo não. Mas não é só essa a bofetada. É que Mendes é opositor tradicional de Santana. O amigo de Santana nesta corrida é Menezes. Mas Carmona marcou desta forma nada discreta o seu distanciamento actual de Santana, apesar de aceitar as condições humilhantes em que tudo se passou na transição de Santana de São Bento para Monsanto. Mais: o facto de Santana Lopes afinal não ter comprado casa (como os seus fiéis puseram a circular) mas apenas ter alugado novamente a mesma casa pode significar outros planos de Santana que não a recandidatura a Lisboa. Fala-se de um cargo borda fora do tipo OCDE. E aí fica mais livre o caminho para Carmona se candidatar a Lisboa. Mas pode haver um escolho: António Mexia, uma espécie de António Vitorino do PSD: bom para cenários, o melhor para lutas virtuais.
Inquilinos
Na tarde de sábado, o Fórum da Associação de Inquilinos Lisbonenses reuniu dezenas de outras entidades para o debate sobre a Lei das Rendas, que Sócrates disse que vai regular no prazo máximo de cem dias.
Ordens profissionais, colectividades, inquilinos do Norte, associações de deficientes, comércio e restauração, PCP, BE, CGTP – foram algumas das presenças mais notadas.
O presidente da Assembleia Municipal de Lisboa mostrou-se preocupado e repetiu a sua célebre dicotomia: «O que é que querem fazer de nós: portugueses ou beduínos?» (De casa às costas, se os contratos só forem válidos por cinco anos… leia-se).
Esta matéria ainda vai fazer correr muita tinta. Disso ninguém duvide. Logo que o PS avançar com a sua proposta, os conflitos saltarão como coelhos da toca. Isso é mais do que previsível: é certo e seguro.
Mas no imediato, e aprovado que foi um texto orientador, coloca-se desde já a primeira questão. Não há no governo um departamento da Habitação, ao contrário do que sempre aconteceu.
A quem vão os Inquilinos de Lisboa apresentar estas conclusões, se no organograma do governo não vejo sequer uma secretaria de Estado da Habitação? Parece que é o dr. Eduardo Cabrita que vai tomar conta deste assunto. Mas ele é secretário de Estado da Administração Local… Em todo o caso, durante o Fórum alguém até se mostrou informado: esta matéria ficará a seu cargo.
Paulo Portas terá tido uma longa conversa com Santana Lopes enunciando argumento sobre argumento para que Santana regressasse à CML. E tê-lo-á convencido definitivamente. Quem conta isto é Filipe Santos Costa (FSC), no «DN» de domingo. Mas o que aparentemente FSC não sabe ou esqueceu é que o próprio Portas é vereador eleito em Lisboa. Aliás, esse cargo originário do CDS-PP é dele. Por que razão não regressa o próprio? Por que razão FSC não perguntou isso à tal fonte tão próxima de Santana – um habitual interlocutor do agora novamente presidente da CML? Portas revela-se assim um verdadeiro amigo… da onça… de PSL.
Carmona
Hoje, está um frenesim à porta da CML, à espera. Ontem à noite, Carmona ainda dizia que não sabia se era presidente da CML. Se não era, há aqui uma questão séria a partir deste momento: que é feito das competências que a lei concentra na CML e esta pode delegar no seu presidente, parte das quais este pode sub-delegar nos seus vereadores? O «Público» já levantou o problema.
Uma coisa é certa: a sesão da CML que estava marcada para 4ª-feira, depois de amanhã, já foi desconvocada...
Em todo o caso, dada a circunstância desagradável de não saber ou ter de dizer que não sabe, Carmona vinga-se bem.
Uma bofetada com luva. É o mínimo que se pode dizer do facto de Carmona Rodrigues, na presente conjuntura, vir manifestar o seu apoio a Marques Mendes na corrida ao cargo de presidente do PSD. Carmona nem sequer é militante. Mas está na calha para a corrida aos Paços do Concelho lá para 9 de Outubro. E sendo previsível que Mendes ganhe, é melhor estar desde já nas boas graças, pelo sim, pelo não. Mas não é só essa a bofetada. É que Mendes é opositor tradicional de Santana. O amigo de Santana nesta corrida é Menezes. Mas Carmona marcou desta forma nada discreta o seu distanciamento actual de Santana, apesar de aceitar as condições humilhantes em que tudo se passou na transição de Santana de São Bento para Monsanto. Mais: o facto de Santana Lopes afinal não ter comprado casa (como os seus fiéis puseram a circular) mas apenas ter alugado novamente a mesma casa pode significar outros planos de Santana que não a recandidatura a Lisboa. Fala-se de um cargo borda fora do tipo OCDE. E aí fica mais livre o caminho para Carmona se candidatar a Lisboa. Mas pode haver um escolho: António Mexia, uma espécie de António Vitorino do PSD: bom para cenários, o melhor para lutas virtuais.
Inquilinos
Na tarde de sábado, o Fórum da Associação de Inquilinos Lisbonenses reuniu dezenas de outras entidades para o debate sobre a Lei das Rendas, que Sócrates disse que vai regular no prazo máximo de cem dias.
Ordens profissionais, colectividades, inquilinos do Norte, associações de deficientes, comércio e restauração, PCP, BE, CGTP – foram algumas das presenças mais notadas.
O presidente da Assembleia Municipal de Lisboa mostrou-se preocupado e repetiu a sua célebre dicotomia: «O que é que querem fazer de nós: portugueses ou beduínos?» (De casa às costas, se os contratos só forem válidos por cinco anos… leia-se).
Esta matéria ainda vai fazer correr muita tinta. Disso ninguém duvide. Logo que o PS avançar com a sua proposta, os conflitos saltarão como coelhos da toca. Isso é mais do que previsível: é certo e seguro.
Mas no imediato, e aprovado que foi um texto orientador, coloca-se desde já a primeira questão. Não há no governo um departamento da Habitação, ao contrário do que sempre aconteceu.
A quem vão os Inquilinos de Lisboa apresentar estas conclusões, se no organograma do governo não vejo sequer uma secretaria de Estado da Habitação? Parece que é o dr. Eduardo Cabrita que vai tomar conta deste assunto. Mas ele é secretário de Estado da Administração Local… Em todo o caso, durante o Fórum alguém até se mostrou informado: esta matéria ficará a seu cargo.
Jornal das 11 / Dia 14 de Março
Túnel e Metro
O Partido Ecologista Os Verdes vem agora também juntar-se ao coro dos que reclamam que seja concluído o processo de avaliação dos impactes ambientais do Túnel do Marquês, que o governo Santana Lopes interrompeu abruptamente.
Por outra parte, e ainda em relação ao mesmo Túnel, Fernanda Ribeiro, no «Público», publicou aquilo de que já se falava: que o Túnel do Marquês obrigou a alterações da programação da obra de prolongamento da chamada Linha Vermelha do Metro (Alameda/São Sebastião). Os atrasos deram já direito a uma indemnização à empresa construtora no valor de 2,6 milhões de euros.
Arrota, Estado! Arrota, cidadão!
Zona ribeirinha
À atenção do novo ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território:
1. A degradação progressiva da zona ribeirinha de Lisboa, desde Algés/Pedrouços até à zona da Expo é por demais evidente.
2. As carcaças do que já foram empresas de renome por ali permanecem. Um ou outro bar, discotecas, restaurantes, pequenas ocupações espaciais não retiram nada do que se teme: que a orla do Tejo esteja a ser cobiçada por grandes investidores – alguns dos quais, aliás, já deram fortes sinais.
3. Por exemplo, ali para os lados da Praça da paz (a da Pomba colorida, está a ver?). 4. Mas o que é facto é que quase toda esta zona se encontra em degradação acelerada.
Já reparou?
Lembra-se dos cartazes gigantescos da CML a perguntar-nos: Já reparou como a sua rua está bonita? Já reparou que pusemos aqui 50 árvores? Etc.. Lembra-se?
Pois bem. Sugiro à CML que coloque uma nova rede desses ‘outdoors’ mas com perguntas como estas:
1. Já reparou que parámos as obras de reabilitação do Jardim da Estrela que já deviam estar prontas em Setembro? E sabia que nem sequer demos uma explicação nem ao menos ao presidente da junta da Lapa, que até é nosso aliado na coligação de direita? E que não fosse… não ligamos a esses ‘piquenos’… mesmo que tenham idade para ser nossos avós…
2. Já reparou que deixámos degradar o Pavilhão Carlos Lopes, o fechámos e ainda lançamos as culpas para cima do João Soares e da sua antiga coligação… do século passado?
3. Já reparou como deixámos degradar completamente o Parque da Bela Vista, que tinha custado uns milhões?
4. Já reparou que com a nossa fúria de construir o malfadado Túnel do Marquês demos cabo do programa de construção do túnel do Metro, o que já obrigou o Metro (ou seja: o Estado, ou seja: nós todos) a indemnizar a empresa construtora em vários milhões (milhões de euros)? 5. Já reparou que fizemos do seu bairro um bonito recanto do Iraque? As casas foram demolidas, o entulho continua aí, a paisagem melhorou significativamente… Já reparou? Já?
O Partido Ecologista Os Verdes vem agora também juntar-se ao coro dos que reclamam que seja concluído o processo de avaliação dos impactes ambientais do Túnel do Marquês, que o governo Santana Lopes interrompeu abruptamente.
Por outra parte, e ainda em relação ao mesmo Túnel, Fernanda Ribeiro, no «Público», publicou aquilo de que já se falava: que o Túnel do Marquês obrigou a alterações da programação da obra de prolongamento da chamada Linha Vermelha do Metro (Alameda/São Sebastião). Os atrasos deram já direito a uma indemnização à empresa construtora no valor de 2,6 milhões de euros.
Arrota, Estado! Arrota, cidadão!
Zona ribeirinha
À atenção do novo ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território:
1. A degradação progressiva da zona ribeirinha de Lisboa, desde Algés/Pedrouços até à zona da Expo é por demais evidente.
2. As carcaças do que já foram empresas de renome por ali permanecem. Um ou outro bar, discotecas, restaurantes, pequenas ocupações espaciais não retiram nada do que se teme: que a orla do Tejo esteja a ser cobiçada por grandes investidores – alguns dos quais, aliás, já deram fortes sinais.
3. Por exemplo, ali para os lados da Praça da paz (a da Pomba colorida, está a ver?). 4. Mas o que é facto é que quase toda esta zona se encontra em degradação acelerada.
Já reparou?
Lembra-se dos cartazes gigantescos da CML a perguntar-nos: Já reparou como a sua rua está bonita? Já reparou que pusemos aqui 50 árvores? Etc.. Lembra-se?
Pois bem. Sugiro à CML que coloque uma nova rede desses ‘outdoors’ mas com perguntas como estas:
1. Já reparou que parámos as obras de reabilitação do Jardim da Estrela que já deviam estar prontas em Setembro? E sabia que nem sequer demos uma explicação nem ao menos ao presidente da junta da Lapa, que até é nosso aliado na coligação de direita? E que não fosse… não ligamos a esses ‘piquenos’… mesmo que tenham idade para ser nossos avós…
2. Já reparou que deixámos degradar o Pavilhão Carlos Lopes, o fechámos e ainda lançamos as culpas para cima do João Soares e da sua antiga coligação… do século passado?
3. Já reparou como deixámos degradar completamente o Parque da Bela Vista, que tinha custado uns milhões?
4. Já reparou que com a nossa fúria de construir o malfadado Túnel do Marquês demos cabo do programa de construção do túnel do Metro, o que já obrigou o Metro (ou seja: o Estado, ou seja: nós todos) a indemnizar a empresa construtora em vários milhões (milhões de euros)? 5. Já reparou que fizemos do seu bairro um bonito recanto do Iraque? As casas foram demolidas, o entulho continua aí, a paisagem melhorou significativamente… Já reparou? Já?
Um poema para iniciar a semana!
A Cidade de Sérgio Godinho
Lembro-lhe esta coisa bela. (Obrigado, Sérgio). Leia com calma, sem ‘stress’:
Cansados vão os corpos para casa
Dos ritmos imitados de outra dança
A noite finge ser ainda uma criança de olhos na lua
Com a sua cegueira da razão e do desejo
A noite é cega e as sombras de Lisboa
São da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira, amou como se fosse a mais indefesa princesa
Que as trevas algum dia coroaram
Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou, já mal o vejo sobre o Tejo
E já tudo pode ser aquilo que parece na Lisboa que amanhece
O Tejo que reflecte o dia à solta
À noite é prisioneiro dos olhares
Ao cais dos miradouros vão chegando dos bares os navegantes
Amantes das teias que o amor e o fumo tecem
E o Necas que pensou que era cantora
Que as dádivas da noite são eternas
Mal chega a madrugada tem que rapar as pernas para que o dia não traia
‘Dietriesches’ que não foram nem ‘Marlènes’
Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou, já mal o vejo sobre o Tejo
E já tudo pode ser aquilo que parece na Lisboa que amanhece
Em sonhos é sabido não se dorme
Aliás essa é a única vantagem
De após o vão trabalho o povo ir de viagem ao sono fundo, fecundo
Em glórias terrores e aventuras
E ai de quem acorde estremunhado
Espreitando pela fresta a ver se é dia
A essas ansiedades gritam friamente ao ouvido, ruído
Que a noite a seu costume transfigura
Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou, já mal o vejo sobre o Tejo
E já tudo pode ser aquilo que parece na Lisboa que amanhece
Lembro-lhe esta coisa bela. (Obrigado, Sérgio). Leia com calma, sem ‘stress’:
Cansados vão os corpos para casa
Dos ritmos imitados de outra dança
A noite finge ser ainda uma criança de olhos na lua
Com a sua cegueira da razão e do desejo
A noite é cega e as sombras de Lisboa
São da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira, amou como se fosse a mais indefesa princesa
Que as trevas algum dia coroaram
Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou, já mal o vejo sobre o Tejo
E já tudo pode ser aquilo que parece na Lisboa que amanhece
O Tejo que reflecte o dia à solta
À noite é prisioneiro dos olhares
Ao cais dos miradouros vão chegando dos bares os navegantes
Amantes das teias que o amor e o fumo tecem
E o Necas que pensou que era cantora
Que as dádivas da noite são eternas
Mal chega a madrugada tem que rapar as pernas para que o dia não traia
‘Dietriesches’ que não foram nem ‘Marlènes’
Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou, já mal o vejo sobre o Tejo
E já tudo pode ser aquilo que parece na Lisboa que amanhece
Em sonhos é sabido não se dorme
Aliás essa é a única vantagem
De após o vão trabalho o povo ir de viagem ao sono fundo, fecundo
Em glórias terrores e aventuras
E ai de quem acorde estremunhado
Espreitando pela fresta a ver se é dia
A essas ansiedades gritam friamente ao ouvido, ruído
Que a noite a seu costume transfigura
Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou, já mal o vejo sobre o Tejo
E já tudo pode ser aquilo que parece na Lisboa que amanhece
sábado, março 12, 2005
11 de Março. Nota às 18 horas. Última hora
À espera de Godot?
Uma carrinha de transporte de materiais esteve todo o dia estacionada à porta dos Paços do Concelho e às ordens. A expectativa é de que se prolongue a espera.
Ninguém sabe. Ninguém diz. Ninguém... se atreve a decidir.
Todos à espera de Godot.
Carmona está a chegar de Cannes. Santana ainda não disse. Carmona só falará depois de Santana falar.
Onde é que já vimos este filme?
Parece que voltámos a terça-feira passada.
Uma verdadeira semana das bruxas.
Uma carrinha de transporte de materiais esteve todo o dia estacionada à porta dos Paços do Concelho e às ordens. A expectativa é de que se prolongue a espera.
Ninguém sabe. Ninguém diz. Ninguém... se atreve a decidir.
Todos à espera de Godot.
Carmona está a chegar de Cannes. Santana ainda não disse. Carmona só falará depois de Santana falar.
Onde é que já vimos este filme?
Parece que voltámos a terça-feira passada.
Uma verdadeira semana das bruxas.
sexta-feira, março 11, 2005
Próxima semana
Não vai faltar aqui matéria para os novos ministros pensarem em Lisboa: escolas, equipamentos de saúde, zona portuária... e por aí adiante.
Para a semana já incluiremos fotos!
Cinema Europa
O prometido é devido. É uma gentileza da Comissão de Defesa do Cinema Europa, cujo ‘blog’ (soscinemaeuropa.blogspot.com) deve consultar.
Aqui está então o texto do abaixo-assinado que vai começar a circular na Cidade.
«SOS Cinema Europa
Abaixo-assinado
Salvemos o CINEMA EUROPA
Nós, os residentes e/ou recenseados na freguesia de Santo Condestável, bairro de Campo de Ourique, apelamos à Câmara Municipal de Lisboa e à Junta de Freguesia
pela não autorização de demolição do Cinema Europa pela preservação do Cinema Europa enquanto espaço cultural, multi-funcional e cívico, de apoio à população de Campo de Ourique e da cidade de Lisboa.
Os residentes e moradores dinamizarão iniciativas que promovam a apresentação de projectos participados pela população, para aproveitamento do Cinema Europa enquanto espaço cultural, multi-funcional e cívico.
Reunião de moradores: no dia 22 de Março de 2005 (3ª feira), 21 horas, na Junta de Freguesia de Santo Condestável.»
Recordo que a Junta de Freguesia, pela voz do seu presidente, Lourenço Bernardino, já deu todo o apoio à iniciativa e levou o problema à Assembleia Municipal: leia mais abaixo, neste ‘blog’ o que escrevi há dias.
Nota
Com alguma probabilidade, na próxima semana o ‘lisboalisboa’ passa a incluir fotos.
O prometido é devido. É uma gentileza da Comissão de Defesa do Cinema Europa, cujo ‘blog’ (soscinemaeuropa.blogspot.com) deve consultar.
Aqui está então o texto do abaixo-assinado que vai começar a circular na Cidade.
«SOS Cinema Europa
Abaixo-assinado
Salvemos o CINEMA EUROPA
Nós, os residentes e/ou recenseados na freguesia de Santo Condestável, bairro de Campo de Ourique, apelamos à Câmara Municipal de Lisboa e à Junta de Freguesia
pela não autorização de demolição do Cinema Europa pela preservação do Cinema Europa enquanto espaço cultural, multi-funcional e cívico, de apoio à população de Campo de Ourique e da cidade de Lisboa.
Os residentes e moradores dinamizarão iniciativas que promovam a apresentação de projectos participados pela população, para aproveitamento do Cinema Europa enquanto espaço cultural, multi-funcional e cívico.
Reunião de moradores: no dia 22 de Março de 2005 (3ª feira), 21 horas, na Junta de Freguesia de Santo Condestável.»
Recordo que a Junta de Freguesia, pela voz do seu presidente, Lourenço Bernardino, já deu todo o apoio à iniciativa e levou o problema à Assembleia Municipal: leia mais abaixo, neste ‘blog’ o que escrevi há dias.
Nota
Com alguma probabilidade, na próxima semana o ‘lisboalisboa’ passa a incluir fotos.
Dia 11 de Março / Jornal das 11
Sondagens, já?
Há eleições autárquicas em Outubro. Há quem já esteja a afirmar que o PS tem sondagens para Lisboa que lhe permitem concluir que pode ganhar a CML sozinho.
Acredito.
Mas há aqui vários raciocínios deficitários.
Se não, vejamos.
Claro que uma sondagem para as autárquicas, feita à boca das urnas das legislativas, não tem grande valor. E menos ainda quando as legislativas foram disputadas no quadro em que estas o foram.
Mais: claro que o PS beneficiou em 20 de Fevereiro de uma enorme repugnância de milhões de pessoas contra o que se estava a passar no governo.
Claro também que o governo PS ainda nem começou a governar, e que, portanto, o seu estado de graça por enquanto se mantém no auge.
Mas vêm aí os tempos do real.
A expectativa dos portugueses é maior do que já alguma vez foi.
Cada medida de cada ministro em cada dia vai ser passada a pente fino.
Vão começar as dificuldades, as opções que, se agradam a gregos, não agradam a troianos e muitas delas não vão agradar nem a gregos nem a troianos…
E então, sim, podemos começar a acreditar em sondagens.
Mas há mais.
Qualquer sondagem feita agora é coxa. Porque do outro lado da barricada, do lado do PSD, não está ninguém.
Quem, no PSD, poderia ser hoje o adversário deste PS angelical saído dos 45% das urnas?
Mas dêem-lhe tempo. O PSD vai-se reorganizar. Vai apresentar um candidato que para o seu eleitorado seja fiável.
E então, sim, vale a pena fazer a sondagem.
Nessa altura, já não haverá a actual ilusão de «sozinho no ringue» – um perigoso síndroma de que o PS já deu provas de sofrer, noutro quadro, em Outubro/Dezembro de 2001, com os resultados desastrosos que se conhecem.
Aquilo foi arrogância pura.
Ora, quem é que ainda agora falava de humildade democrática, mal tinha passado o 20 de Fevereiro?
Tabu tridimensional
Sabido que Carmona afinal aceita ficar como vice-presidente de Santana Lopes, eis que fica a vigorar em Lisboa um triplo tabu:
1. Santana vai ficar com algum pelouro, ele que, na altura em que Carmona esteve no governo, chegou a acumular 12 (doze!) pelouros?
2. Santana fica até quando?
3. Carmona aguenta até ao final do mandato?
Na CML fazem-se apostas. A maioria responde de forma simples: Santana não fica com pelouros, Carmona não fica mais de um mês, Santana vai concorrer à Figueira da Foz.
Simples.
Mas, se assim fosse, isso significava que Pedro Pinto seria o presidente da CML para fechar o ciclo e que Helena Lopes da Costa subiria, agora sim, a vice.
E no meio de tudo isso, o que seria feito do CDS-PP, que já põe em causa manter o acordo com Santana e sem Carmona, se tal for o caso?
Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Amanhã toma posse o novo ministro desta pasta. Na Cidade de Lisboa, esperam-no trabalhos de Hércules. Dele se espera que tome posição e faça uma gestão mais correcta de ‘dossiers’ como os seguintes (só para dar alguns exemplos):
1. Entradas em Lisboa (Calçada de Carriche, Algés, confusão da Parque Expo para quem vem de Sacavém).
2. Pontes, viadutos e similares (resistência, manutenção, fiabilidade).
3. Túnel do Metro no Terreiro do Paço – isso conjugado com a vergonha de aterro que ali permanece por incapacidade da CML.
4. Parque habitacional.
5. Edifícios públicos em situação lastimável, que são mato.
6. Questão do Túnel do Marquês/cruzamento perigoso com as galerias do Metro.
Problemas de uma Carris descapitalizada, decrépita, que não cumpre a sua tarefa e que corta carreiras onde são necessárias e deixa moradores idosos e outros sem qualquer alternativa
7. Nova travessia do Tejo: sim ou não? E onde?
8. Aeroporto da Ota – sim ou não? E os ‘lobbies’?
9. Cidade Administrativa: sim ou não?
10. TGV a passar por aqui?
11. Habitação e arrendamento: cem dias para cumprir a promessa de Sócrates de rever a lei das rendas. Desafio: ouvir bem os inquilinos de Lisboa e do Porto…
Etc. Etc.. São só alguns exemplos. E só no que toca a Lisboa.
Ambiente e Ordenamento do Território
Ao novo ministro do Ambiente e Ordenamento do Território, a Cidade de Lisboa reclama que se dedique desde logo a várias questões emergentes. Eis alguns deles, também só a título de exemplo:
1. Foi suspensa a avaliação dos impactes ambientais do Túnel do Marquês. Mas devem ser retomadas essas diligências, a bem da segurança e da qualidade ambiental da Cidade.
2. O Ministério Público já se pronunciou sobre o mal-fadado processo de alterações em regime simplificado para aprovação de loteamentos na Cidade. E pronunciou-se em sentido contrário ao parecer da DGOT. É altura para rever o assunto no ministério.
3. E a Zona Ribeirinha? Já se viu pior balda? Ponham lá os olhos nesta zona da Cidade...
Sugere-se também que o novo ministro dê atenção ao Parque Florestal de Monsanto. A Comissão de defesa daquele Parque tem alertado para os perigos. Mas ninguém ouve. Leia mais abaixo o texto que sobre o assunto publiquei há uns dias...
Há eleições autárquicas em Outubro. Há quem já esteja a afirmar que o PS tem sondagens para Lisboa que lhe permitem concluir que pode ganhar a CML sozinho.
Acredito.
Mas há aqui vários raciocínios deficitários.
Se não, vejamos.
Claro que uma sondagem para as autárquicas, feita à boca das urnas das legislativas, não tem grande valor. E menos ainda quando as legislativas foram disputadas no quadro em que estas o foram.
Mais: claro que o PS beneficiou em 20 de Fevereiro de uma enorme repugnância de milhões de pessoas contra o que se estava a passar no governo.
Claro também que o governo PS ainda nem começou a governar, e que, portanto, o seu estado de graça por enquanto se mantém no auge.
Mas vêm aí os tempos do real.
A expectativa dos portugueses é maior do que já alguma vez foi.
Cada medida de cada ministro em cada dia vai ser passada a pente fino.
Vão começar as dificuldades, as opções que, se agradam a gregos, não agradam a troianos e muitas delas não vão agradar nem a gregos nem a troianos…
E então, sim, podemos começar a acreditar em sondagens.
Mas há mais.
Qualquer sondagem feita agora é coxa. Porque do outro lado da barricada, do lado do PSD, não está ninguém.
Quem, no PSD, poderia ser hoje o adversário deste PS angelical saído dos 45% das urnas?
Mas dêem-lhe tempo. O PSD vai-se reorganizar. Vai apresentar um candidato que para o seu eleitorado seja fiável.
E então, sim, vale a pena fazer a sondagem.
Nessa altura, já não haverá a actual ilusão de «sozinho no ringue» – um perigoso síndroma de que o PS já deu provas de sofrer, noutro quadro, em Outubro/Dezembro de 2001, com os resultados desastrosos que se conhecem.
Aquilo foi arrogância pura.
Ora, quem é que ainda agora falava de humildade democrática, mal tinha passado o 20 de Fevereiro?
Tabu tridimensional
Sabido que Carmona afinal aceita ficar como vice-presidente de Santana Lopes, eis que fica a vigorar em Lisboa um triplo tabu:
1. Santana vai ficar com algum pelouro, ele que, na altura em que Carmona esteve no governo, chegou a acumular 12 (doze!) pelouros?
2. Santana fica até quando?
3. Carmona aguenta até ao final do mandato?
Na CML fazem-se apostas. A maioria responde de forma simples: Santana não fica com pelouros, Carmona não fica mais de um mês, Santana vai concorrer à Figueira da Foz.
Simples.
Mas, se assim fosse, isso significava que Pedro Pinto seria o presidente da CML para fechar o ciclo e que Helena Lopes da Costa subiria, agora sim, a vice.
E no meio de tudo isso, o que seria feito do CDS-PP, que já põe em causa manter o acordo com Santana e sem Carmona, se tal for o caso?
Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Amanhã toma posse o novo ministro desta pasta. Na Cidade de Lisboa, esperam-no trabalhos de Hércules. Dele se espera que tome posição e faça uma gestão mais correcta de ‘dossiers’ como os seguintes (só para dar alguns exemplos):
1. Entradas em Lisboa (Calçada de Carriche, Algés, confusão da Parque Expo para quem vem de Sacavém).
2. Pontes, viadutos e similares (resistência, manutenção, fiabilidade).
3. Túnel do Metro no Terreiro do Paço – isso conjugado com a vergonha de aterro que ali permanece por incapacidade da CML.
4. Parque habitacional.
5. Edifícios públicos em situação lastimável, que são mato.
6. Questão do Túnel do Marquês/cruzamento perigoso com as galerias do Metro.
Problemas de uma Carris descapitalizada, decrépita, que não cumpre a sua tarefa e que corta carreiras onde são necessárias e deixa moradores idosos e outros sem qualquer alternativa
7. Nova travessia do Tejo: sim ou não? E onde?
8. Aeroporto da Ota – sim ou não? E os ‘lobbies’?
9. Cidade Administrativa: sim ou não?
10. TGV a passar por aqui?
11. Habitação e arrendamento: cem dias para cumprir a promessa de Sócrates de rever a lei das rendas. Desafio: ouvir bem os inquilinos de Lisboa e do Porto…
Etc. Etc.. São só alguns exemplos. E só no que toca a Lisboa.
Ambiente e Ordenamento do Território
Ao novo ministro do Ambiente e Ordenamento do Território, a Cidade de Lisboa reclama que se dedique desde logo a várias questões emergentes. Eis alguns deles, também só a título de exemplo:
1. Foi suspensa a avaliação dos impactes ambientais do Túnel do Marquês. Mas devem ser retomadas essas diligências, a bem da segurança e da qualidade ambiental da Cidade.
2. O Ministério Público já se pronunciou sobre o mal-fadado processo de alterações em regime simplificado para aprovação de loteamentos na Cidade. E pronunciou-se em sentido contrário ao parecer da DGOT. É altura para rever o assunto no ministério.
3. E a Zona Ribeirinha? Já se viu pior balda? Ponham lá os olhos nesta zona da Cidade...
Sugere-se também que o novo ministro dê atenção ao Parque Florestal de Monsanto. A Comissão de defesa daquele Parque tem alertado para os perigos. Mas ninguém ouve. Leia mais abaixo o texto que sobre o assunto publiquei há uns dias...
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